Energia Solar para um mundo sustentável versus o colosso dos Bicombustíveis no Brasil
Pesquisando dados sobre a matriz energética Brasileira percebemos que a energia solar não foi considerada como uma fonte de energia importante. Da mesma maneira, não se encontra na literatura ou nas intenções do governo um impulso relevante para a geração deste tipo de energia no Brasil comparando com o incentivo dado a outras formas de fontes energéticas como o petróleo (pré-sal) e os bicombustíveis (ver tabela 1).
Tabela 1. Energia: Brasil x Mundo.
----------------------Brasil(%)-- Mundo (%)
Petróleo e Derivados--43,2--------34,9
Biomassa--------------27,---------11,5
Eletricidade----------13,6--------2,3
Gás Natural-----------7,5---------21,0
Carvão----------------6,6---------23,5
Urânio----------------1,9---------6,8
Tabela comparativa da matriz energética brasileira e mundial, segundo Flavio Fernandes e Edmilson Moutinho dos Santos. BEN (2004):
Esta é uma tendência contraria ao que acontece na Europa, Ásia e nos Estados Unidos onde se está subsidiando a produção e as pesquisas de energia de emissores de baixo carbono como a solar, eólica e nuclear. A questão ultrapassa o âmbito tecnológico do desenvolvimento de fontes de energia limpa, trata-se de uma opção estratégica associado às estruturas do poder econômico deste país. Se analisarmos com atenção, veremos que podemos mais uma vez estar permanecendo numa posição terceiro mundista ao descartar o avanço de novas formas limpas de energia e ao contrario imobilizar a criatividade e sonhos de tantos jovens pesquisadores que poderiam focar suas pesquisas em novas soluções energéticas para o país.
Para entender melhor esta situação é essencial considerarmos os cenários futuros próximos ao esgotamento do petróleo e da destruição de floresta amazônica e cerrado, nas ditas novas fronteiras da cana de açúcar, soja e pastos. Não precisamos ser nenhum vidente para perceber que as ações focadas nos bio-combustíveis que, utilizam grandes área de plantio terão conseqüências irreversíveis para nosso ambiente e sociedade. Segundo Frei Betto no seu texto necro-combustiveis "vamos nutrir carros e desnutrir pessoas"; certamente a situação mudou desde a publicação do texto em 2006 até os nossos dias com a implementação de técnicas de mecanização e o maior controle no uso de mão de obra escrava nas lavouras de cana de açúcar. Porém o ponto fundamental não se alterou: a expansão da cana de açúcar avança no país, segundo frei Betto "O governo brasileiro precisa livrar-se da sua síndrome de Colosso (a famosa tela de Goya). Antes de transformar o país num imenso canavial e sonhar com a energia atômica, deveria priorizar fontes de energia alternativa abundantes no Brasil, como hidráulica, solar e eólica. E cuidar de alimentar os sofridos famintos, antes de enriquecer os "heróicos" usineiros".
Infelizmente esta percepção, no atual momento da conjuntura do país, é irrelevante e as conseqüências serão vista num futuro próximo. A destruição e esgotamento do nosso ambiente serão considerados como um mal necessário para o desenvolvimento do país, da mesma forma que é considerado a construção das centrais hidroelétricas em plena floresta amazônica, um mal necessário. A pergunta que propomos é a seguinte: Este quadro é irreversível? Politicamente o movimento ruralista atua buscando desarticular o código florestal, justificando a incapacidade do código em atender as necessidades dos grandes e pequenos produtores rurais. O resultado pode ser a destruição da Amazônia e a degradação de outros biomas. Será preciso que os jovens e cidadãos conscientes do país façam uma grande campanha de mobilização para mudar este quadro de destruição de nossas riquezas florestais e combate ao aquecimento global.
Importância da energia solar no mundo:
Levantamos a seguir alguns pontos de interesse referentes à energia solar neste momento no mundo:
1. O presidente Obama visitou Fremont, California para apoiar o departamento de Energia que financiou US$ 535 milhões a Solyndra, Inc. para a construção de uma planta industrial de energia solar com capacidade e escala comercial.
2. O Secretario de Comercio dos Estados Unidos visitou no dia 21 de maio de 2010 a United Solar Ovonic’s Manufacturing Facility em Tianjin, China uma joint venture entre Tianjin, China e Auburn Hills, Mich. USA. Esta Fabrica manufatura laminas muito finas de um filme que converte a luz solar em energia com um potencial de produzir 15 MW de capacidade e espaço suficiente para expandir até 60 MW. Esta solução vai apoiar a oferta de energia renovável para a China do século XXI. A referida viagem fez parte da missão comercial do primeiro escalão da Administração Obama.
As altas esferas das administrações dos dois países China e USA consideram estratégico criar postos de trabalho e reduzir a emissão de carbono na atmosfera nos dois países.
3. O Dr. Jeffrey Sachs Diretor, The Earth Institute de Columbia University e considerado uma das 100 personalidades mais influentes do mundo, em uma vídeo conferencia, diz o seguinte:
“Existem muitas opções para o futuro da energia mundial. Penso que olhando o futuro próximo, a energia solar será uma promessa fenomenal especialmente para os lugares mais pobres. Geralmente, nos trópicos, existe muito brilho solar e paralelamente muito pouco mais em termos de energia existente. Mas com os avanços em energia concentrada termo-solar, fotovoltaicas solares concentradas, o mundo tem oportunidades tremendas, tremendas. Depois de tudo, os desertos do mundo, o Saara, O Atacama, o Mohave, o Gobi podem proporcionar suficiente eletricidade para vastas e populosas regiões do mundo e fazer isto em forma limpa e sustentável, ao menos, por 5 bilhões de anos de acordo com os Físicos. Teríamos energia por um bom, longo tempo, limpa e com um sistema seguro que seria realmente o ponto de despegue para muitas das mais pobres regiões do mundo. ver os seguintes vídeos:
http://bigthink.com/jeffreysachs e a iniciativa na produção de energia limpa para 2050 destinada a Europa e Oriente Medio a partir de uma combinação de tecnologias: a Desertec Foundation.
Tecnologias limpas contra o aquecimento global.
Novamente Jeffrey Sachs nos indica que as tecnologias atualmente consideradas de baixa emissão de carbono, uma das mais adequadas é a geração de eletricidade termo-solar. Para isto se requer mais pesquisa cientifica aplicada, mudanças regulatórias, infra-estrutura apropriada, aceitação do público e grandes investimentos que promovam a diminuição de custos a longo prazo.
Com relação à energia solar existem três tipos de tecnologias a serem melhoradas:
1.A geração de eletricidade fotovoltaica-solar mediante um sistema que concentra a luz solar em superfícies fotovoltaicas com electrons como condutores.
2.A geração de energia termo-solar, concentra grandes áreas de luz solar numa área menor. Produz calor renovável ou eletricidade especialmente com o vapor produzindo eficiência termo dinâmica.
Alguns dos principais aparelhos Dish Stirling engine e Fresnel Solar One em Nevada instalada em 1981 produzem 10MW. Notemos a diferença entre estas tecnologias já instaladas com a que se estão sendo implementada em Tianjin, China de 60 MW. Vejam as fotos a seguir:
3.A conversão de luz solar para o combustível.
Segundo um estudo da Greenpeace estima-se que em 2050 25% da energia mundial será extraída da concentração da luz solar em função da redução dos custos por MW produzido. A NSTC nos EE UU estima que para 2012, 10% da energia gerada deve vir de fontes renováveis e para 2025 isto passará para 25%. Isto porque será constantemente disponível, livre de tensões geopolíticas e sem ameaças ao meio ambiente. As pesquisas estão sendo aperfeiçoadas com a inclusão da nanotecnologia.
Os indicadores de sucesso estipulados nos EE UU pela NSCT através da sua comissão de Nano tecnologia, indicam o que se espera das pesquisas e dos novos investimentos:
Para a geração de eletricidade fotovoltaica-solar:
A próxima geração de aparelhos fotovoltaicos solares terá uma eficiência de 60%,
A síntese e medição da infra-estrutura para fabricação dos aparelhos da próxima geração estará completada, acontecerá um incremento no mercado destes aparelhos. Estima-se que o mercado mundial chegará a US$ 51 bilhões.
Para A geração de energia termo-solar:
A incorporação de nano partículas na transferência de fluídos para conseguir uma coleção, deposito e transporte do calor gerado por meio do sol, desenvolvimento de novos materiais nano estruturados com alta condutividade elétrica e baixa condutividade de calor para lograr uma alta eficiência de conversão termoelétrica de calor para eletricidade.
Para a conversão luz solar para combustível:
Nova tecnologia que permita estratégias avançadas de produção de biocombustíveis,
Reatores robustos movidos por luz solar que convertam a água e o dióxido de carbono em combustível de alta densidade energética,
Aumento na eficiência de produção de biomassa – por um fator de 10 – de tal maneira que se possa requerer menores espaços de terra para produzir biocombustiveis celulósicos.
Sobre as outras formas de energia para o Brasil
O físico José Goldemberg, professor da USP e especialista em recursos energéticos argumenta “Não podemos tratar esse recurso de forma exclusivista. Apostar todas as fichas no pré-sal é perigoso...O que está se esgotando é o petróleo ‘fácil’, restará o de difícil acesso, que exige tecnologia de vanguarda....A perfuração de um poço no pré-sal pode consumir entre US$ 100 e US$ 500 milhões, e a taxa de sucesso pode não ser tão alta.” Cedo ou tarde o petróleo deve acabar, o clima deve ter mudado e os governantes terão que justificar-se perante a sociedade.
Por outra parte, as mudanças climáticas e o aumento da concentração de CO² aliados aos avanços tecnológicos poderão proporcionar um aumento significativo na produção de cana-de-açúcar no país, nos próximos 70 anos. Cientistas da USP estimam que a produção poderá atingir 120 toneladas por hectare em 2080. A estimativa é feita no estudo “Mudanças climáticas e a expectativa de seus impactos na cultura da cana-de-açúcar na região de Piracicaba”, apresentado pela engenheira ambiental Júlia Ribeiro Ferreira Gouvea, como dissertação de mestrado .
No documento da G8+5 , em maio de 2009, declara que há uma estreita relação entre as mudanças climáticas e a transformação das tecnologias para um futuro livre de carbono. Segundo o relatório a oferta de energias sustentáveis são um dos grandes desafios cruciais para o futuro da humanidade. E sinaliza ainda, que os serviços de energia básica deveriam ficar disponíveis para todas as populações do mundo.
A transição deve ser para uma economia eficiente em energia de baixo carbono ampliando pesquisas e desenvolvimento para mitigar e adaptar as tecnologias existentes. Isto quer dizer que as novas fontes de energia só poderão ser aplicadas com mudanças e adaptação das tecnologias atuais. Por tanto, são necessários investimentos em tecnologias com energias renováveis como energia solar, eólica, geotermais, bicombustíveis e o poder das ondas marinhas. Ao mesmo tempo será necessário assegurar a adequada oferta de gás natural assim como o desenvolvimento de usinas seguras de energia nuclear.
“Os desafios para realizar uma economia sustentável de energia solar são significativos; as metas só podem ser atingidas mediante ciência e tecnologia transformacional que será alcançada mediante um esforço inter agencial concertado.