Saturday, September 26, 2009

Pré-sal 2009 - Gestão!!!

O pré-sal exige menos ideologia e mais gestão

Autor(es): Fernando Abrucio
Época - 07/09/2009
 
 
 

FERNANDO ABRUCIO é doutor em Ciência Política pela USP, professor da Fundação Getúlio Vargas (SP) e escreve quinzenalmente em ÉPOCA

 

A política brasileira parece estar entrando numa nova fase, com o arrefecimento da crise do Senado. Para o futuro do país, é mais importante debater propostas de políticas públicas, pois, quando escândalos e denúncias dominam a cena, o jogo político acrescenta quase nada à vida da população. Mas nem todos estão preparados para essa mudança, uma vez que é bem mais fácil atuar segundo a lógica dos “mocinhos x bandidos” que enfrentar a complexidade da gestão pública.

Está aí um dos maiores desafios do século XXI: a gestão pública não pode seentendida por reducionismos ideológicos e tampouco comporta respostas únicas. Ela envolve a conciliação de múltiplos objetivos. O Estado precisa produzir políticas públicas eficienteeeficazes, resguardando ao mesmo tempo o interesse público. A proposta do governo Lula de alterar o marco regulatório da exploração do petróleo é um bom exemplo para entendeessa questão.

A regulamentação do pré-sal está gerando um grande debate, pois será peça- -chave na trajetória econômica do país nas próximas décadas. Deve-se evitar, portanto, que a discussão se resuma a falsas dicotomias, baseada nos seguinteenredos: a luta de nacionalistas contra entreguistas, segundo a versão governista; ou a disputa entre estatistas e defensores da livre-iniciativa, conforme a simbologia oposicionista.

Trata-se de um problema de gestão pública, que deve ser avaliado por critérios empíricos, não por suposições ideológicas. A ideia demudar o modelo de concessão para o de partilha e mesmo a criação de uma estatal responsável pelo planejamento da exploração petrolífera não são, a princípio, ideias equivocadas. No que se refere ao primeiro aspecto, a justificativa certa para sua adoção é o maior controle do fluxo de extração e venda de petróleo. Um ritmo totalmente comandado pelos interesses do mercado – incluindo aí a Petrobras – poderia levar a graves desequilíbrios macroeconômicos, tanto do ponto de vista cambial quanto no que se refere à situação industrial do país. E aqui o interesse público de longo prazo é mais importante que os ganhos econômicos imediatos.

Reforçar o podeestatal não é um pecado. Mas o viés 
anticompetitivo será péssimo para a Petrobras

 

No que tange à criação de uma estatal planejadora desse processo, em vez de deixar o trabalho à ANP, também é possível justificar o novo órgão. Ele seria um formulador de políticas públicas de longo prazo, não regulador. Dizer que isso seria um desastre porque criaria um “cabide de empregos” é algo que valeria, em tese, para todo o Estado brasileiro. As raízes disso estão em falhas estruturais da administração pública. Sem reformá-la, todas as políticas públicas serão frágeis. Para evitar a reprodução do patrimonialismo no caso do pré-sal, será necessário estabelecer um forte modelo de controle sobre o novo órgão. Se for produzida uma boa solução aqui, ela poderá se tornar um exemplo para melhorar a fiscalização do conjunto do governo.

Do ponto de vista da gestão, o problema maior da proposta do governo é o ambiente anticompetitivo embutido nela, presente tanto no monopólio da operação como na obrigação de que a Petrobras detenha uma participação mínima de 30% em cada bloco explorado. Aestatal melhorou muito nos últimos anos, porque teve de ser mais eficiente que as outras competidoras. O fim da situação monopolísticaestimulou parcerias importantes com empresas nacionais e estrangeiras, tanto no plano financeiro quanto no tecnológico. O pior de tudo é que a existência de uma única operadora dará um podeenorme à Petrobras. Desse modo, será mais difícil para o governo, mesmo com um novo órgão, controlar a estatal petrolífera numa situação sem competição.

Reforçar o podeestatal, como quer o governo Lula, não é nenhum pecado em termos de gestão. Mas o viés anticompetitivo será péssimo para a Petrobras, que se acomodará; para o Executivo federal, que ficará mais fraco em termos regulatórios; e principalmentepara a sociedade, que, no caso do pré-sal, deseja que sejam compatibilizados os interesses de longo prazo do país com a busca daeficiência.

Gás Natural e os gasodutos

video

Friday, September 18, 2009

GÁS NATURAL E CARVÃO


GÁS NATURAL

O gás natural é uma mistura de hidrocarbonetos leves, que à temperatura ambiente e pressão atmosférica, permanece no estado gasoso. Na natureza ele é encontrado em acumulações de rochas porosas no subsolo terrestre ou marinho , em geral acompanhado de petróleo.
A composição do gás natural pode variar de campo para campo,devido ao tipo de matéria orgânica que lhe deu origem, aos processos naturais a que foi submetido, pelo fato de estar ele associado ou não ao petróleo e também em função de ter sido ou não processado em unidades industriais. Porém em geral o gás natural é composto de metano, etano, propano, e em menores proporções , de outros hidrocarbonetos de maior peso molecular. Normalmente o gás natural apresenta baixos teores de impurezas como nitrogênio , dióxido de carbono, água e compostos de enxofre.
Dependendo de sua composição o gás natural fornece de 8.000 a 12.700 Kcal/Kg quando submetido a um processo de queima. Além do alto poder calorífico, o que supera o de energéticos como o carvão e a biomassa, o gás natural apresenta a vantagem de ser pouco poluente.Outra importante característica é a possibilidade de liquefação quando submetido a temperaturas inferiores a 162°C negativos, o que viabiliza seu transporte por meio de veículos criogênicos. Na forma líquida o gás natural reduz em 600 vezes em relação à forma gasosa.
O manuseio do gás natural requer alguns cuidados, pois ele é inodoro, incolor, inflamável e asfixiante quando aspirado em altas concentrações. No Brasil as principais especificações do gás natural a ser comercializados foram ditadas pelo Regulamento Técnico ANP nº001/98, que estabelece as normas atualmente vigentes para a especificação do gás natural de origem interna ou externa a ser comercializado no país.
Etapas para produção de gás natural:
1.Exploração e Desenvolvimento: Exploração é a etapa inicial do processo e consiste no reconhecimento e estudo das estruturas propícias ao acúmulo de petróleo ou gás natural, essa fase conduz a descoberta dos reservatórios.
2. Produção: Ao ser produzido , a partir de campos que podem se localizar na terra (onshore) ou no mar (offshore), o gás natural deve, inicialmente, passar por vasos separadores, que são equipamentos projetados para retirar a água e separar o gás dos hidrocarbonetos que estiverem em estado líquido, parte desse gás é utilizado no próprio sistema e o restante é enviado para a fase de processamento.
3. Processamento: nessa fase o gás segue para as unidades industriais onde ele será desidratado e fracionado gerando os seguintes produtos: metano e etano, que formam o gás natural. Propano e butano, que formam o GLP – gás liquefeito de petróleo e um produto com características de gasolina, denominado C5+ ou gasolina natural.
4. Transporte: No estado gasoso o transporte de gás é feito por meio de dutos, ou em muitos casos em cilindros de alta pressão.
O gás natural depois de tratado e processado , é utilizado , em indústrias, no comércio, em residências e em veículos
O gás natural pode ser encontrado em mais de 80 países no mundo, em 2001 as reservas mundiais somavam cerca de 156 trilhões de m³. Cerca de 71% das reservas mundiais estão localizadas na Europa Oriental, ex-União Soviética e Oriente Médio.
A América Latina possui cerca de 5 % do total mundial de reservas, sendo quase sua totalidade (84%) na Venezuela, México e Argentina.
A Produção bruta de gás natural no Brasil evoluiu de 7.355 milhões de m³, para 15.568 milhões , em 2002. Cerca de 63% das reservas encontram-se no mar e a maior parte (76%) nos estados do Rio de Janeiro, Bahia e Amazonas. A Bacia de Campos é responsável por 40% do total de gás produzido no Brasil.
Vantagens do gás natural:
1. Baixo impacto ambiental: sua queima produz uma combustão limpa, melhorando a qualidade do ar, pois substitui formas poluidoras como o óleo combustível, lenha e carvão.
2. Facilidade de transporte e manuseio
3. Vetor de atração de investimento: atrai novas empresas aumentando número empregos.
4. Segurança: por ser mais leve que o ar dissipa facilmente pela atmosfera em caso de vazamento.

Impactos e problemas:
Por ser uma fonte fóssil, formado a milhões de anos, trata-se de uma energia não renovável, portanto finita.
Apresenta risco de incêndios, asfixia e explosão. Em caso de fogo em locais com insuficiência de oxigênio, poderá ser gerado monóxido de carbono, altamente tóxico.
No transporte através de gasodutos podem ocorrer falhas que resultem em vazamentos, pessoas próximas ao ponto da falha podem estar em risco devido as propriedades inflamáveis e tóxicas que o gás pode ter. Assim, por onde passam gasodutos impõem riscos associados a acidentes que podem resultar em fatalidades, ferimentos e danos a propriedade decorrentes de explosões e incêndios.


CARVÃO MINERAL


O carvão mineral é um combustível fóssil, que da mesma forma que o petróleo , foi formado a milhões de anos com a decomposição da matéria orgânica de vegetais depositados em bacias sedimentares. O material orgânico depositado, submetido a elevadas pressões e temperaturas em contato com o ar é transformado em um produto sólido, de cor escura cuja propriedade físico-química depende da formação geológica.
Os carvões são classificados de acordo com o grau de carbonização do material em:


CARBONO % CONTEÚDO CALORÍFICOkcal/

Antracito acima 86 % 7.300 – 9.100
Betuminoso abaixo 86 % 6.400 – 7.800
Sub-betuminoso abaixo 86% 4.650 – 6.400
Lignito abaixo 86 % 3.650 – 4.650

As reservas mundiais, em 2001 totalizaram 976 bilhões de toneladas distribuídas em diversas regiões do planeta. Na América do Norte, Ásia, Oceania e ex-União Soviética estão concentradas cerca de 80% das reservas. As reservas da América Latina e Caribe não ultrapassam 1,6% .
Com uma produção em 2001 de 4.591 milhões de toneladas, o planeta utiliza 82% desse carvão para geração de eletricidade. Atualmente cerca de 38,4% da eletricidade mundial são gerados por usinas movidas a carvão mineral.
O carvão mineral em uso no Brasil tem duas origens: o carvão vapor(energético), que é nacional e tem cerca de 90% do seu uso na geração elétrica, e o carvão metalúrgico, importado para produzir o coque, especialmente utilizado na indústria metalúrgica. O carvão nacional é de baixa qualidade com impurezas de óxido de enxofre que podem atingir até 7%. O carvão mineral manteve em 2004 a participação de 6,7% na matriz energética brasileira, sendo um quarto desse total de origem nacional.
O estado do Rio Grande do Sul é o que possui a maior reserva (87%),destaca-se a de Candiota (23%) a maior jazida do país. Segue-se o estado e Santa Catarina com 22% e o Paraná com menos de 1%.
O carvão mineral é o maior responsável pelas emissões de dióxido de enxofre, um dos principais gases causadores das chuvas ácidas. Os metais pesados, inclusive os encontrados no carvão mineral, não podem ser destruídos e são altamente reativos do ponto de vista químico, o que explica a dificuldade de encontrá-los em estado puro na natureza.
Além da contaminação do lençol freático, os metais pesados encontrados no carvão mineral podem ser carreados para os cursos d’água. Quando lançados na água , podem ser absorvidos pelos tecidos animais e vegetais e por fim acumularem em organismos que constituem a cadeia alimentar do homem, provocando impactos imprevisíveis a saúde.
O carvão mineral é considerado o combustível mais poluente do planeta.
Acidentes em minas de carvão são freqüentes, em 1984 uma violenta explosão em uma mina de Urussanga em Santa Catarina matou 31 trabalhadores, em 2008 dois trabalhadores morreram na mina Novo Horizonte em Lauro Müller também em Santa Catarina. Dados oficiais indicam que em 2008 morreram no mundo 3,2 mil trabalhadores em minas, entretanto esse número pode ser maior.
De acordo com o Anuário estatístico da Previdência Social, mineração de carvão é a atividade de maior risco à saúde e a vida, e a de maior nível de periculosidade e insalubridade.

A seguir tabelas de consumo de energia no mundo e no Brasil

MUNDIAL
· CRESCIMENTO DO CONSUMO DE ENERGIA PRIMÁRIA POR FONTE(%)
Energia Primaria..2001..2002...2003...2004.....2005...2006....2007....2008
PETRÓLEO ........0,8%...1,2%.....1,8%....3,4%.....1,6%....0,9%.....1,3%...-0,5%
GÁS NATURAL .1,2%...3,1%.....2,6%....3,4%.....3,2%....2,6%.... 3,4%....2,7%
CARVÃO..............0,5%....2,4%....8,0%....6,5%..... 5,1%....4,6%....5,0%...3,4%
NUCLEAR............2,8%...1,7%....-2,O%...4,5%......0,3%....1,3%....-1,9%.-0,5%
HIDRELÉTRICA.-2,4%..1,9%....-0,1%....6,2%.....3,9%....3,9%.....1,8%...3,1%

Capacidade instalada do Sistema Interligado Nacional em 2007.
Exclui Sistemas Isolados e Auto-produtores.(em MW e %)

Fonte MW Part (%)
Hidrelétrica* 81.190 8 5,5
Gás 8.694 9,2
Nuclear 2.007 2,1
Óleo Combustível l 1.234 1,3
Carvão Mineral 1.410 1 ,5
Outras 462 0,5
Potência Instalada 94.996 100,0

Fonte: ONS


REFERÊNCIAS
ENERGIA E MEIO AMBIENTE NO BRASIL. Estudos av. vol 21 n 59- São Paulo – jan/apr. 2007.
GÁS NATURAL ESTRATÉGIA PARA UMA ENERGIA NOVA NO BRASIL, Edmilson MOUTINH DOS SANTOS. São PAULO. ANNABLUME.FAPESP. Petrobrás/2002.
ENERGIA, RECURSOS NATURAIS E APRATICA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, Lineu B. dos Reis, Eliane A. Amaral Fadigas e CLÁUDIO Elias CARVALHO – Baueri, SP; Manole , 2005.
KIRCHHOFF, D. (2004). Avaliação do risco ambiental e o processo de licenciamento: o caso do gasoduto de distribuição gás brasiliano trecho São Carlos – Porto Ferreira – São Carlos . Dissertação Mestrado. Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo.

Friday, September 11, 2009

PETRÓLEO

Professora Renata e colegas,

Segundo Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o petróleo é um óleo inflamável, formado a partir da decomposição, durante milhões de anos, de matéria orgânica como plantas, animais marinhos e vegetação típica das regiões alagadiças, e encontrado apenas em terreno sedimentar.
A base de sua composição é o hidrocarboneto, substância composta por carbono e hidrogênio, à qual podem se juntar átomos de oxigênio, nitrogênio e enxofre, além de íons metálicos, principalmente de níquel e vanádio.
Para encontrar e dimensionar o volume de reservas existentes (medidas em quantidades de barris, que correspondem a 159 litros), são realizados estudos exploratórios, que utilizam tanto a geologia quanto a geofísica. Depois disso, vem à fase da perfuração, que tem início com a abertura de um poço mediante o uso de uma sonda para comprovar a existência do petróleo. Em caso positivo, outros poços são perfurados a fim de se avaliar a extensão da jazida.
Esta tecnologia sofisticada foi desenvolvida principalmente ao longo do século XX quando, em função da exploração crescente, as jazidas mais próximas do solo se esgotaram. No final do século XIX, não era incomum o petróleo jorrar naturalmente, como ocorreu em algumas regiões dos Estados Unidos. Dessa época, há histórias de fortunas feitas da noite para o dia por obra do acaso.
É dessa época, também, que data a constituição das maiores companhias petrolíferas multinacionais hoje em operação. O petróleo cru não tem aplicação direta. A sua utilização exige o processo de refino, do qual se obtém os derivados que são distribuídos a um mercado consumidor pulverizado e diversificado.
Assim, além da extração, a cadeia produtiva compreende mais três etapas: transporte do óleo cru (geralmente por oleodutos ou navios), refino e distribuição (entrega dos derivados ao consumidor final, geralmente por caminhões-tanques).
Nas refinarias, o petróleo é colocado em ebulição para fracionamento de seus componentes e conseqüente obtenção de derivados. Os derivados mais conhecidos são: gás liquefeito (GLP, ou gás de cozinha), gasolina, nafta, óleo diesel, querosene de aviação e de iluminação, óleo combustível, asfalto, lubrificante, combustível marítimo, solventes, parafinas e coque de petróleo. Para produção de energia elétrica, utiliza-se o óleo diesel e o óleo combustível e, em menor proporção, o óleo superviscoso.
O tipo de derivado obtido depende da qualidade do petróleo: leve, médio ou pesado, de acordo com o tipo de solo do qual foi extraído e a composição química. O petróleo leve, como aquele produzido no Oriente Médio, dá origem a maior volume de gasolina, GLP e naftas. Por isso é, também, o mais valorizado no mercado. As densidades médias produzem principalmente óleo diesel e querosene. As mais pesadas características da Venezuela e Brasil produzem mais óleos combustíveis e asfaltos.
Conforme o Balanço Energético Nacional (BEN) 2009 Com relação aos combustíveis líquidos destaca-se a continuada expansão no consumo de etanol (+ 17,7%). Também foi significativo o aumento no consumo de óleo diesel (+ 7,7%), refletindo o dinamismo da economia nacional nos primeiros 10 meses do ano, impactando a atividade de transporte rodoviário.
Ainda conforme o BEN 2009 a produção de Petróleo que era de 1.832,7 em 2007 passou para 1.898,6 em 2008, tendo uma produção dia de 103 bbl/dia (1 bbl = barril; inclui líquidos de gás natural) demonstrando um crescimento de 3,6%. Apesar do crescimento na oferta, a participação fontes não renováveis na oferta de energia caiu de 59% para 54,7%. O Petróleo e derivados que participam na oferta interna de energia no qual em 2007 representava 37,4% teve uma queda para 36,37% em 2008 e a oferta interna de energia elétrica através dos Derivados de Petróleo que era o equivalente a 13,4% em 2007 subiu para 15,1% em 2008, conforme tabela a seguir.

Petróleo e Derivados
Petróleo
Descrição / Unidade / 2008 / 2007 / Diferença%
Petróleo / 10³ bbl/dia / 1.815 / 1.753 / 3,5%
Produção / 10³ bbl/dia / 375 / 416 / -9,8%
Importação / 10³ bbl/dia / 396 / 421 / -6,0%
Exportação / 10³ bbl/dia / 253 / 250 / 1,2%
Produção de Derivados
Óleo Diesel / 10³ m³ / 40.804 / 39.164 / 4,2%
Gasolina / 10³ m³ / 20.291 / 20.772 / -2,3%
Óleo combustível / 10³ m³ / 16.222 / 16.531 / -1,9%
Nafta / 10³ m³ / 8.772 / 9.293 / -5,6%
GLP / 10³ m³ / 10.667 / 10.622 / 0,4%
Querosene / 10³ m³ / 3.817 / 4.051 / -5,8%
Coque de Petróleo /10³ m³ / 2.811 / 2.563 / 9,7%
Asfalto / 10³ m³ / 2.126 / 1.680 / 26,5%
Lubrificantes / 10³ m³ / 756 / 646 / 17,2%
Principais usos
Veicular / 10³ m³ / 54.175 / 51.268 / 5,7%
Matéria prima / 10³ m³ / 15.966 / 15.823 / 0,9%
Industrial / 10³ m³ / 15.717 / 14.670 / 7,1%
Residencial / 10³ m³ / 9.925 / 9.661 / 2,7%
Geração de eletricidade
· Serviço público / 10³ m³ / 2.200 / 2.364 / -6,5%
· Autoprodutores / 10³ m³ / 1.187 / 1.157 / 2,6%
· Comércio / setor público / 10³ m³ / 1.603 / 1.572 / 2,0%

Conforme PNE 2030
Expansão da Oferta
Petróleo
Como reflexo da política continuada de investimento em exploração e produção, estima-se que a produção de petróleo possa atingir 3 milhões de barris por dia nos próximos 10 ou 15 anos. Mesmo que se fixe a produção nesse patamar até 2030, hipótese em que a continuidade dos investimentos teria como resultado principal o aumento das reservas com vistas a uma confortável relação R/P1, a auto-suficiência atingida em 2006 é mantida no longo prazo.
Do lado da demanda, o consumo de petróleo deverá seguir trajetória de crescimento, acompanhando as condicionantes dos cenários macroeconômicos. Os estudos da EPE prevêem que a produção de derivados de petróleo possa superar 3,6 milhões de barris por dia em 2030, em razão da expansão da capacidade de refino, necessária para atender à demanda doméstica.
Alterações estruturais são esperadas no balanço de produção e consumo de derivados, na medida em que a expansão do refino deverá privilegiar a produção de derivados leves (GLP, gasolina) e médios (diesel e querosene de aviação), que constituem hoje – com exceção da gasolina – o drive do refino nacional. No caso do diesel, essa estratégia, aliada à expansão da oferta biodiesel, pode tornar o balanço superavitário no longo prazo. Em adição, expandirá a produção de diesel a partir de óleos vegetais (H-Bio2), que contribui para a redução da demanda de óleo cru.
A gasolina, em razão da presença do etanol e do aumento da frota de automóveis flexfuel, deverá manter o balanço superavitário que apresenta hoje, embora o crescimento do consumo e a definição dos perfis das futuras refinarias sugiram a possibilidade de reversão em mais longo prazo. Também no caso do GLP, a estratégia indicada para a expansão do refino pode modificar a situação atual de importação, equilibrando o balanço produção/consumo, eventualmente com pequenos superávits. A produção de GLP tende a pressionar menos a demanda de óleo cru com a utilização de líquidos de gás natural.
Desta forma, os principais derivados de petróleo (óleo diesel, gasolina e GLP) ganham participação na matriz de consumo de derivados, em detrimento do óleo combustível e da nafta, cujos consumos devem se reduzir em decorrência da substituição por gás natural na indústria em geral (óleo combustível) e na química e petroquímica (nafta).
Embora mantenha posição de liderança na matriz energética brasileira, o petróleo e seus derivados devem reduzir participação para cerca de 30% em 2030, perdendo nove pontos percentuais em relação a 2005, acentuando a tendência que tem se verificado nos últimos anos.
No primeiro semestre de 2008, a Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras), controlada pelo Governo Federal, anunciou a descoberta de um campo de petróleo na camada pré-sal (abaixo da camada de sal) na Bacia de Santos, litoral brasileiro. O campo de Júpiter foi a segunda grande descoberta anunciada pela empresa e a estimativa de suas reservas ainda está em fase de cálculo.
A primeira foi o Poço de Tupi, também na Bacia de Santos, com reservas estimadas entre 5 e 8 bilhões de barris. A expectativa é de que todo o pré-sal tenha mais de 30 bilhões de barris.
A exploração exigirá elevados investimentos, desenvolvimento tecnológico específico e não tem data marcada para ser iniciada. Mesmo assim, a descoberta provocou forte impacto positivo na opinião pública, pois tem potencial para fazer com que o país aumente significativamente o volume de suas reservas, de 12,6 bilhões de barris. Além disso, as descobertas na camada pré-sal da Bacia de Santos colocam o Brasil, que durante anos buscou a auto-suficiência no recurso, no mesmo nível dos grandes produtores mundiais. Tanto que o país foi convidado pelo Irã para integrar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Descobertas como estas têm importância estratégica para qualquer país no mercado internacional. Isto porque o petróleo e seus derivados transformaram-se, ao longo do século XX, não só na principal fonte primária da matriz energética mundial, mas, também, em insumo para praticamente todos os setores industriais.
Portanto, entre as vantagens estratégicas do país que detém e controla as reservas de petróleo e as estruturas de refino estão: importância geopolítica; segurança interna em setores vitais como transporte e produção de eletricidade; e aumento da participação no comércio internacional, seja por meio da exportação direta do óleo e seus derivados, seja pelo custo e, portanto, pela competitividade dos produtos industrializados.

BIBLIOGRAFIA

ANEEL, Atlas de Energia http://www.aneel.gov.br/

EPE, Balanço Energético Nacional 2009 http://www.epe.gov.br/

http://economia.uol.com.br/ultnot/valor/2007/11/08/ult1913u78565.jhtm

http://www.anp.gov.br/

http://www.mme.gov.br/








Friday, September 4, 2009

PLANEJAMENTO DE ENERGIA

Professora Renata, Caros Colegas,

Para se elaborar a matriz energética é necessário que se tenha um banco de dados com informações sobre o cenário de desenvolvimento econômico global e nacional, que se recorra a vários métodos e técnicas para elaboração do planejamento e que se faça a simulação de cenários baseados em séries históricas sobre a oferta e o consumo de energia como bem demonstra o Balanço Energético Nacional.
Para se elaborar ou organizar o Planejamento Nacional de Energia (PNE 2030) foi definido um cenário de crescimento econômico para o Brasil entre 2010 e 2030. Projetou-se através desse cenário a capacidade de produção e a demanda para cada matriz energética.
Os dados levantados propiciaram a formulação de um balanço energético simplificado que identificará em quais fontes energéticas o país terá deficiência e de que forma ela deverá ser suprida por meio de fontes alternativas. Hoje a energia do petróleo e da hidroeletricidade são muito utilizadas e demandam investimentos a curto prazo. O gás natural aumentará sua participação no fornecimento de energia. Em outro momento a energia eólica e solar aumentará sua participação no quadro da matriz energética por serem renováveis, bem como a cana de açúcar e o biodiesel que também apresentam grande potencial de crescimento.
Portanto, o PNE 2030 projeta: a produção de energia de forma sustentável; busca a eficiência no uso da energia; prevê a expansão do uso do biodiesel e da cana de açúcar e seus derivados; aumento do consumo domiciliar de energia elétrica; crescimento e melhor distribuição de renda; diminuição da utilização de energia hidráulica entre 2005 e 2030.
Para se construir a matriz energética nacional para 2030 participaram os seguintes atores:
- Ministério das Minas e Energia (MME) que tem responsabilidade legal na elaboração da matriz energética e tem a competência de direcionar diretrizes com o objetivo de alcançar uma política de eficiência energética;
- Agencia Nacional do Petróleo (ANP) tem a competência de fornecer dados sobra a produção de petróleo e seus derivados:
- Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) órgão encarregado de atualizar periodicamente os dados da matriz energética;
- Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) define critérios para determinar quantificar as reservas minerais;
- Empresa de Pesquisa Energética (EPE) ligada ao Ministério das Minas e Energia, desenvolve estudos e pesquisas sobre o setor energético;
Eletronuclear - subsidiária da Eletrobrás é responsável pelas usinas nucleares.
Lineu (2005), enfatiza que o planejamento energético tem evoluído em consonância com forças atuantes no sentido da construção de um modelo de desenvolvimento sustentável que envolve a aplicação de algumas ferramentas metodológicas como:
- Planejamento Integrado de Recursos (PIR) que se sustenta com o aumento da preocupação com o uso eficiente da energia, e, com a ênfase nos usos finais. Seu objetivo básico de acordo com o mesmo autor foi expandir até um novo limite, o cenário de planejamento, para que ele contivesse e avaliasse, de forma integrada, os projetos focalizados na oferta, ações de aumento da eficiência e conservação de energia.
– Gestão Integrada de Recursos (GIR) – trata da aplicação de recursos à infraestrutura para o desenvolvimento, como uma importante forma de orientar o planejamento energético aos rumos do desenvolvimento sustentável.
A GIR procura fomentar alianças e parcerias que tragam vantagens na implantação e operação de componentes da infraestrutura. Busca nessas parcerias obter vantagens que garantam a competitividade econômica e a viabilização do investimento.
A GIR leva em conta critérios políticos, sociais, econômicos e ambientais;
– Avaliação de Custos Completos (ACC) – Para Lineu (2005) É uma ferramenta, a qual incorpora custos ambientais e custos internos, com dados de impactos externos e custos-benefícios de atividades sobre o meio ambiente e a saúde humana. Nos casos em que os impactos não podem ser monetarizados, são usadas avaliações qualitativas. Tem dois objetivos: definir e alocar custos ambientais internos; e, definir e avaliar as externalidades associadas com as nossas atividades.
Está calcada em cinco premissas: consideração de recursos e usos de energia eficientes, impactos sociais; emprego de fontes de energia renováveis. E integridade financeira.
- Análise do Ciclo de Vida (ACV) – é definido como um processo para avaliar a carga ambiental associada com um sistema ou atividade, através da identificação e descrição quantitativa da energia e materiais usados e resíduos lançados ao meio ambiente, além de avaliar os impactos do uso da energia e materiais e das liberações para o meio ambiente. A avaliação inclui o ciclo de vida completo do produto ou atividade considerando a extração, uso, re-uso, reciclagem e descarte final, e todos os transportes envolvidos. A ACV dirige-se a impactos ambientais do sistema pelo estudo nas áreas de sistema ecológico, saúde humana e depleção de recursos. Ela não se dirige a efeitos econômicos ou sociais (LINEU, (2005), apud Consoli et al. (1993) e Lindfords (1995)).
A ACV é aplicada na avaliação e elaboração de políticas; educação pública; tomada de decisão interna; revelação pública de informações.
A utilização dessas ferramentas facilita a análise ampliada dos dados para a construção do planejamento de energia.

Raimundo Pereira Barbosa

Referências:
Reis, Lineu Belico dos, Energia, recursos naturais e a prática do desenvolvimento sustentável. Editora Manoel, 2005.
Ministério de Minas e Energia. Matriz Energética Nacional 2030. EPE, 2007.
Ministério de Minas e Energia. Plano Nacional Energético 2030.

Thursday, September 3, 2009

urgente: Congresso em Biodiesel

Para os estudantes interessados em participar, especialmente àqueles que irão desenvolver seus papers finais nesta disciplina em biocombustíveis.
Prazo para inscrição até dia 04/09/09
O Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT, através da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico, e em parceria com o Movimento Brasil Competitivo – MBC têm meta conjunta, para o ano de 2009, a realização do III Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel, ação esta que tem como objetivo mobilizar a Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel.

A terceira edição do Congresso prevê a realização de palestras envolvendo os principais temas trabalhados na Rede: Agricultura, Armazenamento, Caracterização e Controle da Qualidade, Co-produtos e Produção do combustível. Também serão realizados debates através da realização de mesas-redondas com a participação de expoentes nacionais do setor, bem como a apresentação de trabalhos científicos e a exposição de produtos e serviços.

 Para maiores informações, estudantes pagam 20 reais!
 http://www.congressorbtb.com.br/