Thursday, November 20, 2008

Conflitos e Controvérsias na Construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte




Governo FHC

Marco Inicial:

Encontro de Altamira reuniu 3 mil pessoas, onde 650 eram índios, e foi considerado um marco do socioambientalismo no Brasil. O encontro foi reflexo do descontentamento da sociedade, principalmente a local, com a construção do complexo de 5 hidrelétricas, no qual Belo Monte está inserida.

Um dos motivos do descontentamento, foi a experiência de Tucuruí e Balbina, onde; comunidades foram desalojadas, foram inundadas grandes extensões de terras inclusive áreas indígenas e destruição da fauna e flora.

Conflitos e controvérsias encontrados:

  • condução anti-democrática do projeto;
  • altos custos social, ambiental e econômico;
  • direcionamento da energia para pequenos grupos de elite (indústrias do aço);
  • Belo Monte terá a menor relação área inundade/capacidade de energia;
  • divergências entre os próprios movimentos sociais que têm aparentemente os mesmos objetivos.

Com todo o debate, surgem os movimentos sociais como;

  1. Movimento pelo Desenvolvimento da Transamazônica e Xingu (MDTX);
  2. Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), entre outros.

Em janeiro de 2003 o presidente da Eletrobrás o físico Luiz Pingueli Rosa disse que a construção da usina é fato decidido e que o processo será permeado de consultas à comunidade interessada, havendo tembém, medidas compensatórias, gerando com isso outras discussões principalmente pelos ambientalistas que não vêem como tais medidas possam realmente favorecer a sociedade local.

Conseqüencias dos movimentos sociais:

o desenho de Belo Monte foi revisto e os impactos poderão ser reduzidos em relação a proposta da década de 80. O lago por exemplo, previsto anteriomente para ter 1200 km², foi reduzido após o encontro para 400 km². Os socioambientalistas no entento, estão convencidos, de que além dos impactos diretos e indiretos, Belo Monte é um cavalo de Tróia, pois há precendente para construção de outras barragens, alterando definitivamente para pior a paisagem da região, com todos os custos; sociais, ambientais, econômicos etc.

Impactos Socioambientais:

  • inundação constante, hoje sazonal dos igarapés Altamira e Ambé que são áreas que oferecem grandes serviços ambientais;
  • redução da vazão da água a jusante do barramento do rio na Volta Grande do Xingu;
  • interrupção do trasnporte fluvial até o rio Bacajá, único acesso para comunidades ribeirinhas e indígenas;
  • ramanejamento de aproximadamente 2 mil famílias que vivem em condições precárias na periferia de Altamira, 800 familias na área rural de Vitória do Xingu e de 400 famílias ribeirinhas;
  • alteração do regime do rio sobre o meio biótico e socio econômico, com a redução do fluxo d'água.

Situação Atual:

  • insatisfação dos grupos indígenas - divergências entre os grupos tanto de índios quanto de brancos, ou seja, pessoas do mesmo grupo social divergem em suas posições;
  • morosidade na liberação do EIA/RIMA


Wednesday, November 12, 2008

Semana 16 - Gestão de Recursos Energéticos

Os Quatro Pilares da Gestão Sustentável Energética: Demanda, Oferta, Regulação e Sustentabilidade Sócio-Ambiental.
A necessidade de cuidar mais adequadamente das questões relacionadas à energia, a partir do crescimento da demanda residencial, comercial e industrial, e da crise de energia verificada em 2001, levou o Governo Federal, por meio do Ministério das Minas e Energia, a considerar a energia como estratégia essencial para a manutenção da qualidade de vida da população e para o desenvolvimento sustentável do país.

Como parte dessa estratégia, foram criados instrumentos para otimizar a gestão dos recursos energéticos do país, de forma integrada, como o Programa Gestão da Política de Energia, que resultou na elaboração do Balanço Energético Nacional (BEN), do Plano Decenal 2001/2010 e da Matriz Energética Brasileira.

Nesse sentido, Lineu (2005) aponta a Gestão Integrada de Recursos (GIR) como uma importante forma de orientar o planejamento energético, por meio de alianças e parcerias, que garantam a competitividade econômica e a viabilização dos investimentos.

O processo de gestão dos recursos energéticos no Brasil fundamenta-se em fatores como o crescimento da demanda, os preços dos mercados internacionais, a crescente complexidade da exploração e produção de energia, as preocupações ambientais e a instabilidade política das nações que dominam as maiores reservas de fontes de energia utilizadas em grande escala, como petróleo e gás natural.

Estabeleceu-se então premissas para a adequada gestão dos recursos energéticos, apoiadas em quatro importantes pilares: oferta, demanda, regulação e sustentabilidade ambiental.

Demanda x Oferta

A demanda de energia refere-se à disposição de compra de energia por parte dos consumidores, ou a quantidade de energia que um ou mais consumidores estão dispostos a comprar, também pode ser chamada de procura. Já a oferta de energia refere-se à quantidade que está disponível ao mercado, ou melhor, à aqueles que tem o interesse de compra.

De acordo com as análises de Tolmasquim (2007), ao longo do século XX o Brasil experimentou intenso desenvolvimento econômico, que se refletiu numa crescente demanda de energia primária. Entre os fatores que determinaram tal crescimento alinham-se um expressivo processo de industrialização, com a instalação de plantas energo-intensivas, e uma notável expansão demográfica, acompanhada de rápido aumento da taxa de urbanização. Considerando-se apenas o período a partir de 1970, a série histórica da evolução do consumo de energia e do crescimento populacional indica que naquele ano a demanda de energia primária era inferior a 70 milhões de tep (toneladas equivalentes de petróleo), enquanto a população atingia 93 milhões de habitantes. Em 2000 a demanda de energia quase triplicou, alcançando 190 milhões de tep, e a população ultrapassava 170 milhões de habitantes. Então pode-se dizer que o consumo per capita aumentou de 0,75 tep/hab para 1,1 tep por habitante, durante 1970-2000, ou seja ocorreu um crescimento do consumo per capita em torno de 46%. Assim, verificou-se uma significativa expansão do consumo de energia nos intervalos em que houve uma expansão mais vigorosa da economia. Isso indica que em um ambiente de maior crescimento econômico deve se esperar maior crescimento da demanda de energia.

Tolmasquim formula uma prospectiva para a economia brasileira, onde os estudos de longo prazo conduzidos pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam forte crescimento da demanda de energia nos próximos 25 anos a partir de 2008. Estima-se que a oferta interna de energia crescerá a 5% ao ano no período 2005-10 e que nos anos subseqüentes haverá um crescimento menor — de 3,6% e 3,4% ao ano nos períodos 2010-20 e 2020-30, respectivamente, devido, sobretudo, a uma maior eficiência energética, tanto do lado da demanda como da oferta. No entanto, esse crescimento deve ser qualitativamente diferente. Além de um crescimento sustentado, pode-se esperar um aumento muito mais intenso da renda per capita e também uma melhor distribuição de renda. Esses fatores, aos quais se soma o consumo de energia per capita, atualmente muito baixo para os padrões mundiais (de 1.190 tep/103 hab.), justificam o crescimento da demanda nacional de energia para 3,8% ao ano em 2030, superando 550 milhões de tep.

Regulação

Falando de gestão dos recursos energéticos, a regulação tem um papel fundamental para executar regras da política nacional de energia, mediar conflitos e fiscalizar os processos ligados a geração, transmissão, distribuição e comercialização da energia. Dois órgãos reguladores foram criados no fim da década de 1990; o primeiro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) criada pela Lei Nº 9.427, de 1996. Autarquia em regime especial, vinculada ao Ministério de Minas e Energia e tem como atribuições regular e fiscalizar a geração, a transmissão, a distribuição e a comercialização da energia elétrica; mediar os conflitos de interesses entre os agentes do setor elétrico e entre estes e os consumidores; conceder, permitir e autorizar instalações e serviços de energia; garantir tarifas justas; zelar pela qualidade do serviço; exigir investimentos; estimular a competição entre os operadores e assegurar a universalização dos serviços. (MME)

O segundo, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), implantada há dez anos pelo Decreto nº 2.455, de 14 de janeiro de 1998, é o órgão regulador das atividades que integram a indústria do petróleo e gás natural e a dos biocombustíveis no Brasil. É uma autarquia federal, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, responsável pela execução da política nacional para os setores mencionados. A ANP estabelece regras por meio de portarias, instruções normativas e resoluções; promove licitações e celebra contratos em nome da União com os concessionários em atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural e fiscaliza as atividades das indústrias reguladas, diretamente ou mediante convênios com outros órgãos públicos.

Indicadores e Critérios de Sustentabilidade

No capítulo 7 da Matriz Energética Brasileira são apresentados os Indicadores Ambientais, uma proposta que visa desenvolver um conjunto de critérios e indicadores de sustentabilidade para balizar a discussão entre os diversos segmentos sociais e econômicos envolvidos nos empreendimentos de geração de energia a partir de outras fontes, nas suas dimensões sociais, ambientais e econômicas.

Os critérios de sustentabilidade fazem parte de um conjunto de definições de diferentes aspectos que devem ser considerados, de forma complementar e interdependente, na avaliação de empreendimentos, conjugados a metas e princípios que se pretende alcançar para o desenvolvimento sócio-ambiental do País e de suas diferentes populações. Já os indicadores de sustentabilidade são parâmetros que possam ser utilizados como medida do cumprimento destes critérios.

Os critérios e indicadores partem de seis princípios, sendo eles: Princípio da visão de um futuro sustentável, Princípio da justiça ambiental, Princípio do interesse social, Princípio da autonomia, Princípio da avaliação prévia e o Princípio de economia ecológica.

A sustentabilidade das diversas fontes de energia é muito discutida e tem-se procurado estabelecer parâmetros de avaliação por meio de indicadores apropriados. Como indicadores ligados a aspectos macros e socioeconômicos, sendo eles a utilização de energia per capita, o número de lares atendidos por energia elétrica e a importação líquida de energia. Entre os mais específicos e que podem ser aplicados às diversas fontes energéticas são citados: a produção de energia, a disponibilidade no país do combustível considerado, a emissão de poluentes e gases de efeito estufa de cada cadeia energética, a produção de resíduos e rejeitos por unidade de energia gerada, o uso da terra por unidade de energia produzida.

De acordo com a matriz energética de 2030, os indicadores ambientais podem ser divididos em três temas principais: atmosfera, água e solo, os quais podem ainda ser subdivididos em subtemas:
Atmosfera: mudanças climáticas e qualidade do ar.
Água: a qualidade da água é, em geral, afetada pela descarga de contaminantes, em especial nas atividades de mineração.
Solo: a qualidade dos solos deve ser considerada além da sua importância como espaço físico e relevo. O solo deve ser considerado como um importante recurso, junto com os recursos hídricos, essencial para a agricultura e como habitat para as diversas espécies de plantas e animais. As atividades de produção de energia podem resultar na degradação e acidificação dos solos.


Conclusão

Diante das questões apresentadas sobre o processo de gestão dos recursos energéticos no país, balizado pelos pilares de oferta, demanda, regulação e sustentabilidade ambiental, conclui-se que foram obtidos avanços nos últimos anos, por meio da implementação de diversas ações públicas e privadas, viabilizadas pela estruturação do setor de energia. Dentre elas, podemos citar a estratégia dos leilões de energia, os quais vêm sendo implementados regularmente, a partir de estudos efetuados pela EPE, de forma a assegurar o atendimento da demanda por energia.

Verificam-se também ações de geração de conhecimento e de tecnologias que vêm contribuindo para a produção sustentável de energia.

Cabe destacar que as projeções feitas por Tolmasquim apontam que o consumo de energia crescerá a taxas superiores às das últimas décadas e que a expansão da oferta energética poderá superar o dobro da atual capacidade instalada em todos os segmentos, especialmente os de petróleo, gás natural, etanol e eletricidade.

No entanto, a preocupação com os impactos ambientais da produção e do uso da energia, em especial as emissões de gases e seus efeitos sobre o clima do planeta, tem reforçado a necessidade de regulação e da definição de políticas especificamente orientadas para assegurar a sustentabilidade do desenvolvimento econômico, o que decerto exige planejamento e ação governamental.

Referência Bibliográfica.

Reis, Lineu Belico dos. Fadigas, Eliane A. Amaral, Carvalho, Cláudio Elias. Energia, recursos naturais e a prática do desenvolvimento sustentável. Barueri, SP: Manole, 2005.
Tolmasquim M.T. GUEREIRO A. GORINI R. Matriz Energética Brasileira: Uma Prospectiva.
Estudo EXAME de Energia – publicado em 24/09/2008
Plano Nacional de Energia – PNE 2030.
Matriz Energética Brasileira.
http://www.seplan.go.gov.br/energias/
www.mme.gov.br
www.aneel.gov.br
www.anp.gov.br

Thursday, November 6, 2008

Semana 15 Energia Elétrica

O presente trabalho tem por objetivo descrever de forma abrangente o setor da geração de energia elétrica no Brasil. Descreve as formas de geração de eletricidade e apresenta sua cadeia, dividida em etapas. Discorre sobe sua importância para o crescimento econômico e lança ao debate sua característica contrastante em relação às questões ambientais.
A eletricidade pode ser gerada através de duas formas, estática ou móvel, sendo esta última, a forma mais utilizada. Nesta, utiliza-se peças móveis (turbinas) que podem ser acionadas diretamente, como nos casos das hidrelétricas e moinhos, ou indiretamente, como nos casos da geração termelétrica ou por fissão nuclear. A forma estática se configura quando a energia é obtida diretamente dos recursos naturais, como ocorre na geração de eletricidade a partir do sol e a energia resultante de combinações químicas, como ocorre nas pilhas e baterias. Seja qual for a forma geradora, a eletricidade é uma forma secundária de energia, pois para ser produzida, necessariamente pressupõe a transformação de outra forma de energia, mecânica, química ou física.
A cadeia da energia elétrica pode ser dividida em etapas na produção, transporte e utilização. A geração de energia elétrica no Brasil, por exemplo, é predominante a energia hidráulica gerada internamente (77%). O Brasil, segundo os resultados preliminares do Balanço Energético Nacional 2008, importou 40,9 TWh de eletricidade em 2007, equivalente a 8,5% da Oferta Interna de Energia Elétrica. A biomassa, embora tenha superado a energia hidráulica em termos de Oferta Interna de Energia, é a terceira na produção de eletricidade, respondendo por 4,1%.
A etapa de transporte se daria por áreas de transmissão e distribuição, ligados pelos sistemas de subtransmissão. No Brasil, por conta de sua extensão territorial e pela sua natureza de depender de grandes desníveis em rios para construir suas hidrelétricas, encontra suas geradoras longe dos centros de consumo, o que acarreta em perdas de energia elétrica em sua transmissão. Para dirimir esse problema, foram implementados até aqui, dois sistemas interligados de transmissão, um na região Norte/Nordeste e outra Centro-Oeste/Sul/Sudeste. Os dois sistemas, por sua vez, se interligam, configurando uma ligação Norte-Sul.
Na atual configuração mundial de mercado e de competição, a energia elétrica é insumo da maior importância em todos os segmentos da sociedade moderna (REIS, FADIGAS & CARVALHO, 2005. p. 295). Cerca de 40% da energia usada no mundo está na forma de eletricidade, sendo que não há perspectiva de diminuição. Assim, apresenta-se como um fator de elevada importância no contexto energético global (Idem, p. 282).
Para o Brasil, há cenários não muito positivos em termos de energia elétrica e crescimento econômico, acompanhados também por indicadores de desenvolvimento. Segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas, houve, de 2000 a 2007, um aumento de 217% no preço da energia elétrica. Essa alta, segundo a estimativa, continuará até pelo menos 2012, ano em que se espera o início das operações das hidrelétricas na região Norte (Jirau e Santo Antônio) e o aumento gradual no uso de gás natural para geração de eletricidade, apesar de seu custo ser de três a quatro vezes maior que o custo pela energia produzida pelas hidrelétricas. Essa alta de preços levaria o IDH brasileiro a 0,813 pontos, em vez de 0,825 pontos, caso o preço se estabilizasse. Há com isso, estimativa que as contas de água e esgoto aumentariam em até 60%.


CONCLUSÃO
O principal impeditivo para o avanço das construções de novas hidrelétricas e afins, como as PCHs, estariam por conta principalmente do licenciamento ambiental, considerado até como uma entrave para a execução de empreendimentos hidrelétricos. Esse embate entre o crescimento econômico e a preservação ambiental rebusca uma questão que permeia desde os idos da Conferência de Estocolmo e é a essência do princípio norteador do tema ambiental atual: como crescer de forma sustentável. Este não deve ser um debate entre se deve ou não abrir mão do crescimento econômico em detrimento do meio ambiente. Talvez a questão recai em não ter descoberto uma forma economicamente viável de geração de eletricidade se não pelas hidrelétricas. Frisa-se, há sim outras formas de geração de eletricidade se não pelas hidrelétricas, mas não são ainda economicamente viáveis. Este talvez seja o grande desafio, na verdade.



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Reis, Lineu Belico dos. Fadigas, Eliane A. Amaral, Carvalho, Cláudio Elias. Energia, recursos naturais e a prática do desenvolvimento sustentável. Barueri, SP: Manole, 2005.
Balanço Energético Nacional 2008 - Resultados Preliminares Ano Base 2007
Atlas de Energia Elétrica do Brasil. Carvão Mineral – Item 3. Ed. Brasília: ANEEL, 2005.
Conjuntura Econômica. Custo de energia compromete crescimento. São Paulo: Fundação Getúlio Vargas, outubro 2008.

Sunday, November 2, 2008

Semana 14 - Hidráulica



A água em nosso planeta é abundante e imprescindível para a manutenção da vida. Ao longo dos tempos, a humanidade sempre esteve vinculada aos recursos hídricos. As civilizações só poderiam se estabelecer nas proximidades de corpos d’água, desenvolvendo seus sistemas sociais e econômicos. Mas além de suportar a vida, a água se concretizou como fonte de energia. Os moinhos antigos, através de uma roda movida pela força das águas podiam gerar energia suficiente para moer os grãos necessários a subsistência.
Atualmente a água é acumulada em reservatórios artificiais que alimentam usinas hidrelétricas, onde por um diferencial de energia potencial pode-se gerar eletricidade. O Brasil é um país privilegiado, pois possui grandes bacias com enorme capacidade geradora de energia hidrelétrica, como a do Paraná e Amazônica. Segundo Reis (2005) no Brasil, cerca de 90% da energia elétrica é produzida com este tipo de usinas, com uma capacidade instalada no ano de 2000 de 58,4GW, divididos em Usinas Hidrelétricas (UHE)-98,4%, Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH)- 1,48% e Centrais Geradoras Elétricas (CGH)- 0,12%.
O potencial hidrelétrico nacional é de 260GW (Atlas, 2005), muito dele ainda não explorado. O Atlas Energético (2005) destaca que a energia hidráulica corresponde a 17% da matriz energética mundial. É uma fonte de energia barata, apesar do alto investimento inicial para a construção do reservatório.
O alto valor do investimento para a construção de um reservatório se deve aos custos com projeto, construção das obras físicas e estudo ambiental. Atualmente os grandes desafios deste tipo de matriz energética são o estudo de impacto ambiental (EIA) e seu respectivo relatório de impacto ambiental (RIMA) e a compensação ambiental e social. Segundo Bermann (2007) os principais impactos ambientais vinculados às hidrelétricas são: alteração do regime hidrológico, comprometimento da qualidade das águas, assoreamento dos reservatórios, emissão de metano, sobrepressão do solo, veiculação de doenças epidemiológicas e dificuldades em assegurar os usos múltiplos da água. O mesmo autor retrata que os impactos sociais se dão diretamente sobre as populações ribeirinhas que são desconsideradas diante da perspectiva da perda irreversível das suas condições de produção e reprodução social.
Outro forte desafio é a disponibilidade de locais eficientes para instalar novas hidrelétricas. Como os melhores locais já foram utilizados, restam agora bacias com menor capacidade de geração, baixando a eficiência do processo.
Vale ressaltar que a energia elétrica gerada pela hidráulica está diretamente relacionada com o regime hídrico mundial. Ameaças como o aquecimento global podem acarretar em sérios problemas futuros àquelas nações que firmam sua subsistência energética na hidroeletricidade. O Brasil faz parte desta realidade e certamente sofrerá algum impacto. Segundo Schaeffer et.al. (2008), o sistema energético brasileiro é vulnerável às mudanças climáticas. O estudo aponta que a produção de energia das usinas hidrelétricas da bacia do rio São Francisco pode cair em até 7,7%.

Conclusão

Nota-se que mesmo diante de incertezas, problemas ambientais e sociais, a energia hidrelétrica se firma como importante aliada do crescimento econômico dos povos. O fato de ser uma energia limpa, sem resíduos, a coloca em discussão no âmbito internacional. Cabe aos governantes, escolher a melhor maneira de implantar um sistema adequado às suas necessidades econômicas, sociais e ambientais. O planejamento energético deve atender a todos de maneira igualitária, sem prejuízos àqueles que dependem dos recursos naturais para sobreviver, ou seja, todos nós.

Cleber Stragliotto

Referências:

Atlas Energético (2005) in: www3.aneel.gov.br/atlas/atlas_2edicao. Acesso em 02/10/2008
Bermann, C., Energia das águas: impasses e controvérsias da hidreletricidade no Brasil, 2007 in: www.portalpch.com.br. Acesso em 02/10/2008.
Reis, Lineu Belico dos. Energia, recursos naturais e a prática do desenvolvimento sustentável. Barueri, SP: Manole, 2005. p.238-241.
Schaeffer, R. et. al. Climate change: energy security. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Março, 2008.

Thursday, October 30, 2008

inserção de fontes alternativas de energia renovável

Oportunidades e lacunas no processo de inserção das fontes alternativas de energia renováveis:

- Lacunas:

1- políticas públicas de incentivo;
2- regulamentação;
3- pesquisas tecnológicas;
4 - investimento do setor privado;
5- oferta pequena;
6- comunidades isoladas;
7- centros urbanos (prédios públicos)
pouco acesso da população de baixa renda;
8- unidades de conservação

- Oportunidades:

1-potencial eólico expressivo;
2- potencial solar, dias longos com muitas horas de irradiação solar
3- desenvolvimento sustentável;
4- crescimento do consumo, relacioanado a produção de energia limpa;
5- bombeamento de água;
6- iluminação;
7- aquecimento de água

Semana 13 - Energia Solar e Eólica

Por Wilson Azevedo
O homem sempre olhou para o céu adorava o sol como um deus, e este sempre teve papel preponderante na vida de todos seres vivos. Um dos motivos da extinção dos dinossauros foi a falta de luz solar um meteorito que colidiu com a terra, levantando uma nuvem de poeira que impediu a penetração de luz solar, com isso as plantas não realizaram a fotossíntese e os animais herbívoros morreram de fome e seus predadores ficaram sem alimentos.
Por milhares de anos o homem sobreviveu do trabalho braçal, quando descobriu a roda deu-se um passo importante, chegando à roda d’água, as chamadas rodas hidráulicas e depois os moinhos de vento que deu um incremento significativo a quantidade do regime de trabalho, ou potência. A tabela abaixo dá uma noção da potência de cada uma das fontes energéticas (realizadores de trabalho):
FONTE ENERGÉTICA POTÊNCIA OBSERVAÇÕES
Homem 80 W
Boi 500 W
Cavalo 750 W
Moinho de água 1,5 a 1,8 kW Roda com diâmetro superior a 5m
Moinho de vento 1,5 a 1,6 kW Moinho de vento típico
Automóvel de 1000cc 45 a 60 kW
O desenvolvimento de novas tecnologias ao longo do tempo foi agregando potência às diversas maquinas de produção, aumentando sua capacidade, mas isso levou o homem a aumentar seu consumo de energia.
No atual estagio tecnológico do homem é praticamente impossível interromper este consumo de energia, mas ao mesmo tempo é insustentável o ritmo atual de consumo. É necessário que novas fontes de energia sejam descobertas e utilizadas e o ideal que estas novas fontes sejam renováveis.
Devemos ter em mente que todo o processo de desenvolvimento é um processo de apropriação de energia1, em ultima análise todas fontes de energia - hidráulica, biomassa, combustíveis fósseis, energia dos oceanos, eólica - são formas indiretas de energia solar.
A energia que chega à terra anualmente, enviada pelo sol é equivalente a 10 mil vezes o consumo da população neste período. As equações abaixo mostra a quantidade de energia total que a terra recebe:

Área projetada da Terra = (6.3x106)2 x 3,14 = 124x1012 m2;
Constante Solar = 1395 W/m2;
Energia recebida = 124x1012 x 1395 = 173x1015 W (2)

Uma das primeiras aplicações para a energia solar que se tem noticia, foi descrito na antiguidade quando a esquadra romana fez um cerco a cidade de Siracusa, a tal distância que as flechas não atingiam os navios, então Arquimedes com o uso de espelhos côncavos concentrou os raios solares sobre estes navios, o que levou eles a incendiarem.
O aproveitamento da luz solar na era moderna só iniciou em 1959 nos EUA como forma de geração de energia elétrica para os satélites. É uma forma de energia muito utilizada em lugares isolados, onde a rede de energia elétrica convencional esta distante dos pontos consumidores.
Existe três tipos para se obter energia solar, o primeiro é através de iluminação natural e do calor para aquecer os ambientes, denominado de aquecimento passivo, que vem da penetração ou absorção da radiação solar nas edificações, reduzindo assim a necessidade de iluminação artificial ou de aquecimento e isso é feito através de um estudo de arquitetura adequado, a chamada arquitetura bioclimática.
O segundo modo de obter energia solar é fototérmica, que utiliza a capacidade de um corpo absorver calor a partir da radiação solar e com isso aquecer fluidos, são os chamados coletores ou concentradores solares. Os coletores (figura 1) usados nas residências, hotéis, restaurantes, hospitais, etc., com finalidade de aquecer água para usos diversos, utilizados para temperaturas inferiores a 100ºC.
Já os concentradores (figura 2), captam energia solar de grandes áreas e concentra em uma área menor. São mais utilizados em instalações onde requer temperaturas mais elevadas, (podendo chegar até 3800ºC), tais como secagem de grãos, produção de vapor.

Placas coletoras fototérmicas (figura 1)
No terceiro modo temos a energia solar fotovoltaica (figura 3) que transforma energia solar diretamente em energia elétrica (denominado efeito fotovoltaico), neste processo a célula fotovoltaica é a unidade principal para conversão e requer uma alta tecnologia para sua confecção, são células fabricadas de silício.
Neste tipo de conversão o problema é o custo da célula fotovoltaica e o seu baixo rendimento ao converter energia solar em elétrica, chegando atualmente a uma eficiência de 25%, o que impede a sua larga utilização.

Células fotovoltaicas (figura 3)
Além das condições atmosféricas a o local e posição no tempo, como hora e dia do ano, devido a inclinação da terra em torno do seu eixo de rotação tem importância sobre o rendimento. No Brasil grande parte do território esta próximo à linha do equador, tendo assim grande incidência de irradiação solar. Então para usá-los devemos ter a mão o Atlas Solarimétrico do Brasil, ou o Atlas de Irradiação Solar no Brasil.
ENERGIA SOLAR NO BRASIL
No Brasil a Empresa Pesquisa Energética (EPE) foi criada com a finalidade de prestar serviços na área de estudo e pesquisas destinada a subsidiar o planejamento do setor energético.
A elaboração da Matriz Energética Nacional (MEN) é a base para definir as políticas energéticas que orientará o Planejamento Energético Nacional, que é um instrumento para planejamento a longo prazo das políticas energéticas do país, orientando tendências futuras.
Mas o que observamos é que Plano Nacional de Energia – 2030, não dão muita ênfase nas chamadas energias de fontes alternativas. Isso se deve em parte aos gestores do setor de energia privilegiar as fontes tradicionais como hidroeletricidade, petróleo, gás natural, carvão, nuclear, e biomassa, etc.
A Matriz Energética Nacional mostra que o crescimento de oferta interna de energia cresceu 5,9% em 2007, taxa superior ao crescimento da economia que foi de 5,4% conforme dados do IBGE.
Segundo a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA, 2001) existiam 500.000 coletores instalados em residências, com um crescimento anual por volta de 35% a 50%, e existe uma expansão significativa em estabelecimento como hotéis, hospitais, restaurantes industriais, motéis, para aquecimento de água.
Na geração de energia os sistemas fotovoltaicos estão sendo empregados em comunidades rurais e/ou isoladas do Norte e Nordeste do Brasil, basicamente em bombeamento de água para abastecimento doméstico, irrigação e piscicultura, eletrificação de escolas e postos de saúde, estações de telefonia, etc.
ENERGIA EÓLICA NO BRASIL
A conversão de energia cinética dos ventos em energia mecânica já é utilizado pela humanidade a mais de 3000 anos, com inicio na Pérsia. Eles usaram os moinhos de vento para bombear água para irrigação.
Praticamente não mudaram desde então, uma hélice ou pá atingida pelo vento que gira um eixo que por sua vez movimenta uma bomba ou gerador de eletricidade.
As primeiras aplicações da energia eólica para produzir eletricidade iniciaram na Dinamarca em 1980, com as primeira turbinas com capacidade de gerar de 30 a 55 kW. Hoje a capacidade de geração chega a 6000kW, para rotores com diâmetro de 114m e uma altura da torre de 120m com peso total de 480t.
Atualmente os EUA são lideres na incorporação de capacidade de geração, tendo uma política agressiva de incentivos, seja via créditos tributários ou fundos de investimentos em tecnologia. Eles tem como objetivo chegar em 2030 com 20% de sua capacidade atendida por energia eólica. Como objetivo secundário melhorar a qualidade do meio ambiente e revitalizar áreas rurais através de pagamento royalties pelo uso da terra.
Considerando o crescimento do PIB em 4,2% e a população crescendo 2,0 milhões/ano e consumo de energia elétrica aumentando em 5,1% ao ano, isto leva a uma demanda de 41.800MW de capacidade a ser instalada em nos próximos 10 anos a um custo estimado de US$ 40 bilhões na geração e US$ 16 bilhões na transmissão.
Comparando com os demais países em instalação de energia eólica no ano de 2007 o Brasil esta engatinhando neste tipo de energia, pois a potência mundial instalada é de 75.000MW, enquanto Brasil tem 1.423MW.
Hoje o parque industrial do Brasil esta com sua capacidade operacional em torno de 82%, e como energia é um insumo importante na produção e considerando que o governo espera um crescimento de 5% ao ano, não haverá energia suficiente para atender esta demanda.
Diante desta realidade faz-se necessário diversificar a matriz energética do país, e é neste contexto que a energia eólica tem papel importante, pois com um potencial de geração da ordem de 143,5GW (ou seja, mais que 10 Itaipu), enquanto o parque gerador brasileiro hoje produz 96GW.
O Programa de Incentivo às Fontes Alternativas (PROINFA), instituído pela lei 10.438 de 04/2202 e modificado pela lei 10.762 de 11/2003, visando incentivar a produção de energia de fontes eólicas, PCH e biomassa de produtores independentes autônomos e esta energia ser conectada ao Sistema Interligado Nacional.
Uma das vantagens do Brasil para tornar um grande produtor de energia eólica, é que 70% da população esta no litoral e é ali que se encontra o maior potencial eólico, os ventos são em média estáveis e comportados e de velocidade alta. Esta energia pode complementar a sazonalidade de hidrelétricas durante os baixos níveis dos reservatórios, a figura abaixo demonstra isso claramente.



Poluição visual de um parque gerador eólico

CONCLUSÃO
O Brasil para continuar produzindo e gerando emprego tem necessidade de energia, e esta necessidade implica elevados custos sociais e ambientais. Isto é fato. O que perguntamos é se a sociedade esta disposta a pagar este preço para produzir a energia necessária para este desenvolvimento?
Com certeza a resposta é sim, pois o consumo de energia cresce dia a dia, então o que pode ser feito é minimizar estes impactos. É nesta hora que entra as chamadas energias de fonte alternativas, mas não esquecendo que mesmo estas produzem degradações. Os moinhos de ventos para produzir energia elétrica produzem ruídos, devendo portanto serem instalados em lugares desabitados. Também tem um impacto muito grande no visual da região onde estão, devem ser instalados longe das rotas de migração de aves e provoca interferência eletromagnética nas telecomunicações.
Os coletores solares mesmo utilizando tecnologias de última geração ainda são caros e de pouco rendimento para geração de energia elétrica. No entanto são ideais para zonas distante das linhas de distribuição de energia elétricas, onde os coletores cumprem bem seu papel. Mas devem ser subsidiados pela sociedade, pois de outro modo esta populações jamais teriam acesso aos benefícios que a eletricidade trás.
Os coletores ainda podem ser utilizados com aquecedores de água, e o aquecimento de água é o item que mais trás impacto nas contas de energia, principalmente da população de baixa renda
No que se refere a energia eólica o Brasil detém tecnologia para implementar a utilização deste tipo de energia, mas para isso deve ter uma regulamentação clara, afim de garantir retorno do investimento aplicado, assim ganhará a sociedade e o meio ambiente.

Links interessantes sobre utilização de energia solar:
- http://kottke.org/08/03/solar-furnaces
- http://www.ut.uz/eng/today/uzbek_scientists_created_a_powerful_solar_laser.mgr
- http://www.solar.ufrgs.br/ Laboratório de energia solar da UFRGS
- http://www.cresesb.cepel.br/faq/faq_solar.htm Perguntas sobre energia solar
- www.fem.unicamp.br/~em313/paginas/esolar/esolar.htm Fac. Eng. Mec.- Unicamp
- www.fcmc.es.gov.br/
- www.sciencemag.org.
- educar.sc.usp.br/licenciatura/1999/solar.html
- http://www.les.ufpb.br/portal/ Laboratório de energia solar da UFPB
- http://www.abens.com.br/ associação brasileira energia solar


Referências Bibliográficas:
Reis, Lineu Belico dos. Energia, recursos naturais e a prática do desenvolvimento sustentável. Barueri, SP: Manole, 2005. p.78.
GREEN, M. A. et al. Solar celi efficiency tables: version 16. Progress in Photovoltaics: Research and Applications, Sydney, v. 8, p. 377-384, 2000 (Adaptado).
Lei 10.438 de 26 de abril de 2002
http://www.seplan.go.gov.br/energias/livro/cap06.pdf - acessado em 11/10/2008
http://www.seplan.go.gov.br/energias/livro/cap06.pdf - acessado em 11/10/2008
http://www.seplan.go.gov.br/energias/livro/cap09.pdf - acessado em 11/10/2008
http://www.seplan.go.gov.br/energias/livro/cap10.pdf - acessado em 11/10/2008
http://www.fem.unicamp.br/~em313/paginas/esolar/esolar.html
www.cresesb.cepel.br/publicacoes/download/Info7_pag8-9.PDF - acessado em 11/10/2008
www.cresesb.cepel.br/atlas_eolico_brasil/atlas-web.htm - acessado em 11/10/2008
http://www.mme.gov.br/programs_display.do?chn=914&pag=13060 – acessado em 11/10/2008
Plano Nacional de Energia 2030. Recursos Energéticos Rio de Janeiro:EPE, 2007
Atlas de Energia Elétrica do Brasil. Energia Eólica – Item 6. Ed. Brasília: ANEEL, 2005. p. 93-110.
Atlas de Energia Elétrica do Brasil. Carvão Mineral – Item 3. Ed. Brasília: ANEEL, 2005. p. 29-42.
Balanço Energético Nacional 2008 - Resultados Preliminares Ano Base 2007
libdigi.unicamp.br/document/?view=1033 - acessado em 11/10/2008
www.senado.gov.br/web/comissoes/cma/ap/AP20080619_EnergiaEolica_CNI.pdf - acessado em 11/10/2008
www.mme.gov.br/download.do?attachmentId=9744&download – acessado em 11/10/2008
www.fcmc.es.gov.br/download/energia_eolica.pdf - acessado em 12/10/2008
www.fcmc.es.gov.br/download/energia_solar.pdf - acessado em 12/10/2008
www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./energia/index.html&conteudo=./energia/solar.html - acessado em 12/10/2008
www.sbfisica.org.br/rbef/pdf/031109.pdf - acessado em 10/10/2008
mtc-m17.sid.inpe.br/rep-/sid.inpe.br/mtc-m17@80/2007/05.03.14.09 - acessado em 12/10/2008
www.nuca.ie.ufrj.br/gesel/seminariointernacional/2008/arquivos/P_ArmindoMonica_EnergiaEolica.pdf - acessado em 10/10/2008
www.sbfisica.org.br/rbef/pdf/301304.pdf - acessado em 11/10/2008
http://www.les.ufpb.br/portal/index.php?option=com_docman&task=cat_view&gid=21&Itemid=30

Wednesday, October 29, 2008

A força do vento

Essa história começa com uma idéia: produzir energia com o vento. A firma Enercon surgiu assim em 1984, com seu primeiro cata-vento. Atualmente, é a número 1 incontestável na Alemanha e líder mundial nessa tecnologia.

No início dos anos 80, o fundador e proprietário da Enercon teve a idéia de produzir energia a partir do vento. uma idéia visionária, pois naquela época não havia nem soluções técnicas para isto, nem um mercado para a energia eólica. com o passar dos anos investiu em aperfeiçoamentos tecnológicos. seu triunfo foi logrado com o desenvolvimento da instalação de energia eólica sem engrenagem de transmissão- até hoje, uma característica exclusiva da Enercon. Vantagens: menos desgaste, maior vida útil e menos manutenção.
Em vez dos 55 quilowatts do E-15, primeiro modelo de série pequeno, o E-126- com uma altura de 198 metros- fornece hoje 18 milhões de quilowatts-hora por ano: eletricidade suficiente para mais de 4500 residências. A empresa possui diversos modelos, os quais são adquiridos de acordo com as características climáticas e territoriais.

A Enercon possui mais de 13 mil cata-ventos em todo o mundo, com subsidiárias na Índia, no Brasil, Turquia, Suécia e Portugal. Produz mais de 14 GW mundialmente. ocupa a terceira posição no mercado internacional com uma área de produção com mais de 450 mil metros quadrados.

A força impulsora do desenvolvimento das energias renováveis na Alemanha é a
Lei das Energias Renováveis (EEG), a qual entrou em vigor no ano 2000 e garante um ressarcimento com taxas fixas aos produtores. O objetivo é aumentar a participação das energias renováveis no consumo de eletricidade, dos 14,3% atuais para a meta estabelecida de 25 até 30% no ano de 2020. Em seus princípios básicos, a EEG já foi adotada por 47 países.

Offshore
Já que é limitado o espaço para expansão da energia eólica em terra, são explorados cada vez mais os potenciais no mar. o governo alemão considera realista que os parques eólicos offshore venham a alcançar um rendimento de 20 a 25 mil megawatts até os anos 2025/2030.

Dena
A Agência Alemã de Energia (Dena) é o centro de competência para as energias renováveis. Com uma potência instalada de 22248 megawatts, a Alemanha é o maior mercado mundial da energia eólica (2007), o que corresponde a quase 30% da capacidade eólica mundial.

Componentes e técnica
As modernas instalações de energia eólica são compostas de alicerce, torre, casa de máquinas e rotor eólico. um cubo transmite a energia do rotor- diretamente ou através de engrenagem- para o gerador. a gôndola e o rotor são posicionados eletricamente na direção do vento. a velocidade do vento aumenta e as turbulências diminuem com a altura. Assim, é maior o desempenho energético das torres mais altas.

Conclusão
Seja energia eólica no Egito, hidrelética na Indonénia, biomassa no Nepal, geotermia no Quênia ou fotovoltaica na China: a Alemanha apoia em muitos países o abastecimento energético sustentável. A necessidade de energia dos países em desenvolvimento deverá duplicar nos próximos 20 anos. Se for suprida com combustíveis fósseis, isso acarreterá numa enorme poluição ambiental.

Referência:
- Periódico alemão Deutschland n. 4/2008.