Wednesday, April 28, 2010

Autora: Débora Freitas
Revisores: Ivan, Marcelo e Hélio.

Energia Nuclear

Introdução
O texto pretende discorrer sobre a energia nuclear, com seus benefícios econômicos e ambientais e suas aplicações, suas propriedades altamente perigosas, que devem ser trabalhadas com muito cuidado. Como o uso pacífico dessa energia pode mudar o mundo e torná-lo um ambiente onde os receios pelas alterações climáticas deixem de ser uma preocupação para a sociedade e se torne uma aliada ao meio ambiente.
Século XX início da era nuclear. Centenas de centrais nucleares produtoras de energia elétrica multiplicaram-se pelo mundo e aumentou a oferta energética mundial moderna.
A energia nuclear é uma espécie de energia gerada durante a fissão ou fusão do átomo nas usinas nucleares. Desse modo, a quebra do átomo produz calor que é transformada em energia elétrica. Para a produção é necessário urânio, que é um minério extremamente radioativo.
O Combustível mais usado é o Urânio, matéria prima base de todo o processo de fabricação, que gera 16% de toda a energia nuclear produzida no mundo. É encontrado em rochas e na água do mar, disponível em grande quantidade para suprir as necessidades energéticas mundiais, tanto em função da sua quantidade disponível na natureza, quanto pela disponibilidade de tecnologias desenvolvidas para o seu uso.
A energia do átomo do urânio enriquecido libera calor e produz o vapor que move as turbinas das usinas nucleares, gerando energia elétrica. Essa energia é limpa, não emite gás carbônico e não contribui para o aquecimento global. É fonte segura, pois todas as etapas de produção são fiscalizadas por organizações nacionais e internacionais.
As usinas nucleares ocupam pequenas áreas (3,5 km², no caso de Angra), podem ficar próximas aos centros consumidores – evitando, assim, perda de energia nas linhas de transmissão devido à longa distancia entre onde é produzida e onde é consumida.
A energia gerada com a tecnologia nuclear é a única que tem as suas etapas monitoradas e sob controle; não liberam nenhum produto nocivo ou tóxico no meio ambiente e não contribui para o efeito estufa. Todos esses fatos têm levado as organizações e lideres de movimentos ambientalistas (antes ferrenhos críticos do desenvolvimento da tecnologia nuclear) a reverem suas posições
Quanto às aplicações:
A utilização da energia nuclear vem crescendo a cada dia. Além de ser uma das alternativas menos poluentes, permitem o fornecimento de energia elétrica às cidades.
Os grandes benefícios da energia nuclear, infelizmente, são pouco divulgados. Novas técnicas nucleares são desenvolvidas nos diversos campos da atividade humana, possibilitando a execução de tarefas impossíveis de serem realizadas pelos meios convencionais.
Na área médica são empregadas cotidianamente técnicas nucleares no diagnóstico; nas máquinas de raios-X; na cura de tumores e de certos tipos de câncer. Nos diferentes setores da indústria, particularmente a farmacêutica, e a agricultura são as mais beneficiadas. Nos raios gama que podem prolongar a vida útil dos alimentos, entre varias outras aplicações.
Acidentes nucleares:
A energia nuclear é perigosa, já causou graves acidentes com muitas mortes. Os mais significativos foram decorrentes de falhas de operação, com intervenções equivocadas ou erros de procedimentos de testes de reatores. Foi assim em Three Miles Island, nos Estados Unidos, em 1979 e em Chernobyl, na Rússia em 1986. (MARTINS, 2007). Ou seja, estes dois acidentes ocorreram, pois os operadores não tinham treinamento quanto às normas internacionais de segurança, não foram obedecidos os cuidados mínimos, o que ocasionou a perda do controle operacional. De uma forma resumida pode-se dizer que os acidentes foram em conseqüência de falha humana.
A utilização desse tipo de tecnologia ainda apresenta graves riscos para a humanidade. Reatores nucleares e instalações complementares geram uma grande quantidade de resíduo nuclear que necessitam ficar sob monitoramento por vários anos.
Segundo Carley Martins, se levarmos em conta os mais de 400 reatores nucleares em funcionamento no mundo e o reduzido número de acidentes ocorridos no passar desses anos, conclui-se que a geração de energia nuclear pela fissão nuclear atômica ainda é muito satisfatória.
A energia nuclear e a segurança:
Vários aspectos de segurança estão envolvidos desde projeto até a construção civil de uma usina nuclear, como também na montagem de equipamentos e operação.
Os sistemas de controle e segurança dos reatores nucleares são dirigidos para que as usinas sejam projetadas, construídas e operadas com os mais elevados padrões internacionais de qualidade e que tenham alta confiabilidade. Isso é o que afirma o autor Carley Martins, que os sistemas de segurança são desenvolvidos utilizando todos os recursos tecnológicos disponíveis durante a sua concepção e obedecem a rígidas normas de fabricação e de certificação estabelecidas por organismos internacionais. Tais estes dispositivos são quase “a prova de falhas”.
Quanto aos resíduos , os autores afirmam que a “solução do problema não apresenta dificuldades tecnológicas, sendo uma questão de decisão política e de aceitação pública”. Para eles a energia nuclear faz parte do futuro energético brasileiro.
No mundo:
A energia elétrica gerada através da fissão nuclear vive uma nova era de expansão. Além da construção de várias novas unidades, também aumentam o número de países que buscam o desenvolvimento dessa tecnologia para expandir o parque já instalado.
O principal fator dessa tendência tem sido o caráter ambiental. Ou seja, da necessidade de diversificação da matriz energética. A energia nuclear vem sendo considerada como uma das alternativas para a expansão e a diversificação dessa matriz, de forma a atender ao crescente consumo de energia, economizar os combustíveis fósseis e enfrentar o aquecimento global.
Atualmente, no mundo, estão em operação 440 reatores nucleares voltados para a geração de energia em 31 países, e em construção cerca de outros 33 reatores. Por volta de 17% da energia elétrica mundial gerada é de origem nuclear, a mesma proporção do uso de energia hidroelétrica e de energia produzida por gás, é o que afirma Odair Gonçalves, presidente da CNEN .
Alguns países têm seu abastecimento de energia elétrica com um alto percentual oriunda de geração nuclear, a França com 78%, Bélgica 57%, Japão 39%, Coréia do Sul 39%, Alemanha 30%, a Suécia 46% e a Suíça 40%. (CNEN, 2007).
No Brasil:
A era da energia nuclear no Brasil inicia-se na década 50, com o pioneiro nesta área, Almirante Álvaro Alberto, que criou o Conselho Nacional de Pesquisa, em 1951, e que importou duas ultra-centrifugadoras da Alemanha para o enriquecimento do urânio, em 1953.
A instalação de uma usina nuclear em território nacional aconteceu em 1969. Assim, o Governo Federal pretendia adquirir conhecimento sobre a nova tecnologia que se expandia rapidamente pelo mundo.
A ocorrência de urânio conhecidas no Brasil, o faz ser o detentor da 6ª reserva mundial, assegurando uma excelente reserva e a garantia do suprimento de combustível. 70% destas reservas estão situadas nos Estados da Bahia e do Ceara.
O Brasil é um dos poucos países do mundo a ter o domínio de todo o processo de enriquecimento do urânio para a fabricação de combustível para usinas nucleares.
O plano nuclear brasileiro é amplo e de uso pacifico. Atualmente é incentivado pelo governo com o inicio da retomada da construção de Angra III, com PAC. A idéia é iniciar 2010 com 15 a 20 locais possíveis para o empreendimento de centrais nucleares, os gastos previstos são de ate 6 milhões de reais por usina, com um total de investimento previsto de 2009 a 2025 de 20 a 25 bilhões de reais.

Angras:
Angra - Inicio da construção - Ano de operação - Geração

Angra I - 1972 - 1985 - 657 MW
Angra II- 1972 - (julho) 2000 - 1.350 MW
Angra III - 1972 - 2010 (previsto) - 1.350 MW

Com o funcionamento de Angra I, II e III a capacidade nuclear instalada no Brasil deve passar de 1,98% (2,007 GW) para 2,5% (3,357 GW) da capacidade instalada total.
Com isto a consolidação de Angra II torna-se muito bem vinda para o desenvolvimento e crescimento do país, sem aumentar o risco à população de Angra dos Reis, e que afirma Carly Martins: “não há riscos significativos para a população de Angra dos Reis decorrentes da construção de uma nova usina, pois a tecnologia existente permite reduzir valores desprezíveis a probabilidade de ocorrência de falhas graves no núcleo, nos sistemas de controle e de operação dos reatores.”
Quanto à economia:
Sob a perspectiva econômica as vantagens começam logo na fase “embrionária” dos reatores: com construções, que produzem projetos em série que significa baixo custo e com equipamentos também com baixo custo, permitem construções de unidades de grande dimensão num tempo cada vez mais reduzido.
Uma vez que os recursos de urânio se encontram em território nacional, com opção nuclear é possível produzir energia com os seus próprios meios, evitando-se assim a dependência, do petróleo.
Segundo o autor Carlos Alvim e outros, dentro das premissas de comparação dos custos nas formas de geração de energia, o custo da geração da energia nuclear é competitivo com os custos da geração a partir dos derivados de petróleo e com o gás natural. A opção nuclear passa a ser competitiva economicamente mesmo quando se considera um custo, ainda que modesto, para a supressão das emissões de CO2.
Quanto ao meio ambiente:
Com o aquecimento global, um desafio foi imposto às sociedades modernas: usar fontes de energia mais limpa, que não lancem gases causadores de efeito estufa para a atmosfera. Por isso a energia nuclear é uma alternativa que cada vez mais ganha defensores. Como no caso de James Lovelock (criador nos anos 60 da hipótese de Gaia) – “defende hoje com vigor e realismo a energia nuclear para, antes que seja tarde demais, enfrentar a mudança climática. É preciso substituir no menor prazo possível o uso de combustíveis fosseis. A energia nuclear se apresenta como opção factível: as demais fontes de energia não estão suficientemente desenvolvidas para satisfazer à demanda energética mundial.”
Conclusão:
A tecnologia nuclear como fonte complementar dessa fonte de energia limpa e segura, tem mudado a opinião pública que já reflete sobre essa opção energética de forma menos emocional, tornando as discussões a respeito do assunto mais serenas e mais realistas.
Assim deve-se preparar um mercado cada vez mais exigente em segurança, garantia da qualidade e o uso da energia nuclear como ferramenta de preservação da natureza e da vida.
Com relação à situação brasileira que precisará de energia para avançar rumo ao seu futuro desenvolvimento, é necessário concentrar esforços para avançar continuamente no campo da ciência e tecnologia e inovação. O país não poderá renunciar à evolução do conhecimento da tecnologia nuclear, pois ela apresenta perspectivas futuras e promissoras para o desenvolvimento nacional, em vários campos tão diversos como a agricultura, a medicina e a propulsão nuclear.

Bibliografia

MARTINS, Carley, Controle e segurança dos reatores nucleares. Estudos avançados nº 59, volume 21, 2007 – Dossiê Energia, Instituto de Estudos Avançados – IEA- USP, 392 p.

ALVIM, Carlos Feu, EIDELMA, Frida; MAFRA, Olga e FERREIRA, Omar Campos. Energia nuclear em um cenário de trinta anos. Estudos avançados – online-. 2007, vol 21, nº 59, PP 197-220. ISSn 01034014.

REIS, Lineu Bélico dos, energia, recursos naturais e a pratica do desenvolvimento sustentável /Eliane A. Amaral Fadigas, Claudio Elias Carvalho – Barueri, SP: manoele, 2005. 415p.

GONCALVES, Odair Dias e Ivan Pedro Almeida – a energia nuclear – revista ciência hoje vol. 37 n 220 p 36- 44.

CNEN - www.cnen.gov.br/cnen_99/educar/energia.htm#porque

Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) – disponível em:

Eletronuclear – disponível em:

Indústrias Nucleares do Brasil (INB) – disponível em:


18 comments:

Nanci Ambiental said...

A energia nuclear é uma das mais limpas e não gera gases de efeito estufa como visualizamos em outras fontes, ocupando também áreas menores para sua instalação e sem produção de lixo em suas dependências, parece bem promissora essa idéia se não fosse o viés da geração de resíduos nucleares. Esses subprodutos advindos da produção de energia nuclear são os grandes vilões, pois o seu monitoramento e descarte são muito críticos e perigosos. Imagine acidentes envolvendo nossas diferentes biotas, além de propagar essa contaminação de gerações e gerações, quantas mutações em materiais genéticos da fauna, da flora, dos humanos, poderão ocorrer com um acidente de tal gravidade, neste processo que é sem dúvida de extrema cautela. Apesar de o Brasil estar reativando Angra III com o PAC é preciso estar muito atento as etapas e as propostas desta produção de energia.

Brasil said...

A energia nuclear tem sido nos últimos anos a que provoca mais controvérsia de todas. Para os leigos, a energia nuclear está ligada unicamente a dispositivos bélicos (experiências catastróficas de Hiroshima e Nagasakis na segunda guerra mundial) sem levar em conta que evidentemente existem muitas outras aplicações de fins pacíficos como na medicina, na engenharia e outros ramos da ciência.
O grande problema está focado no altíssimo investimento para a implantação de uma usina nuclear; o lixo nuclear (o material utilizado no reator que não serve mais para gerar energia, mas continua radioativo) que pode contaminar o solo, o ar e as águas pois atualmente esses resíduos são depositados no fundo do mar assim como o perigo existente de escape de radiação nuclear em função de um defeito ou explosão de um reator que pode causar contaminação radioativa em grande escala tendo como conseqüência a morte de milhares de pessoas, animais, além de contaminar o solo, as plantas com seus efeitos perdurando por dezenas de anos.
Vale a pena ressaltar que a vida útil das usinas nucleares está prevista para um período de 30 a 40 anos sendo que muitas delas existentes no mundo estão sendo desativadas.
A pergunta é: Será que vale a pena investir nesse tipo de energia alternativa (considerada limpa por alguns), mas que possui altíssimo fator de risco?
Acho que no Brasil foi um erro investir na construção de usinas nucleares (Angra I, II e III), pois as mesmas estão ultrapassadas tecnicamente e contribuem muito pouco para nossa matriz energética de geração de energia.

Adilson said...

Não há dúvida que em um horizonte não muito distante, o Brasil irá olhar com outros olhos para a energia elétrica produzida pela fissão ou fusão nuclear. Isso ocorrerá principalmente porque o país por volta de 2030 já terá chegado ao limite de exploração de seu potencial hidráulico. Portanto, a busca de outras fontes energéticas é o caminho natural e a energia nuclear seria uma dessas.

Todavia, há de se levar em consideração algumas questões, por exemplo, o texto fala de “energia limpa e segura”, contudo seria natural perguntar: ‘limpa’ e ‘segura’ em relação ao que? Dizem que viajar de avião é mais ‘seguro’ do que viajar de ônibus, porém se ocorrer um acidente aéreo, há pouquíssimas chance de alguém sobreviver, algo que não poderíamos afirmar em relação a um acidente rodoviário. Do mesmo modo, podemos pensar em relação ao uso da energia nuclear, isto é, a possibilidade de ocorrer um acidente é rara assim como a de um acidente aéreo, mas se ocorrer, os danos serão imensuráveis.

Nesse sentido, é perigoso afirmar que ela seja uma energia limpa e segura, pois nem mesmo a energia elétrica proveniente da energia solar pode ser chamada de limpa e nem necessariamente de segura. No caso, pode até ser mais do que a nuclear. Por fim, sabemos que precisamos de energia elétrica e ela será saciada das mais diversas fontes, entretanto não podemos fechar os olhos para o risco potencial que essa energia representa ao meio ambiente por mais ‘segura’ e ‘limpa’ que seja.

José Carlos said...
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José Carlos said...

Embora a energia nuclear aparente usufruir de vantagens na construção de suas usinas e na não liberação de gases poluentes para a atmosfera, é preciso tomar cuidado com certos aspectos. Os resíduos provenientes da geração de energia nuclear é uma questão delicada e, na maioria das vezes, é apenas dito que já é algo possível de se combater atualmente. Porém, eu ainda não tive oportunidade de ler algum artigo que explique detalhamente o processo para solucionar este problema. Na verdade, a gestão é uma ferramenta que deve estar diretamente ligada com estes resíduos. A minha preocupação é o fato de um país como o Brasil, onde o próprio Governo passa por cima de sua legislação ambiental, gerenciar estes resíduos. Um país que vive pressionando os licenciamentos ambientais pode não atender as exigências internacionais. Embora os acidentes em usinas nucleares sejam mínimos, basta apenas um único acidente para termos uma catástrofe. Então, se não houver a qualificação e a constante gestão destas usinas, uma bomba nuclear pode estar surgindo em nossas mãos...

Weeberb J. Réquia Jr. said...

Percebemos, que a Engenharia de Segurança está diretamente relacionada com a operação de uma usina nuclear. Basta, analisar os acidentes do passado. Surge o questionamento - a área da engenharia de segurança evoluiu suficientemente, ao ponto de garantir a segurança de uma usina nuclear?
Nota-se, também, que os resíduos das usinas, ainda, são um grande paradigma. Não está muito claro e provado cientificamente, qual a melhor alternativa para o descarte desses resíduos. Essa ciência está em fase de construção. Vale lembrar, o caso de Goiânia-GO - Césio 137.
Contudo, no caso da energia nuclear, destacas-se a importância dos pontos mais relevantes para os tamadores de decisão do setor energético: a segurança e os resíduos.

Marcelo Wolter said...

Um tópico muito bem lembrado pelo José Carlos foi o fato do Brasil burlar a legislação ambiental para dar continuidade aos projetos estipulados como meta para o governo. A pressão para que se conceda o licenciamento ambiental acarreta em um estudo ambiental falho, com tópicos e especialidades não aprofundados e até mesmo com uma visão que subestima os impactos ambientais. Agora vamos pensar na construção de uma usina nucelar feita com pressa e um licenciamento pressionado e mal analisado. Podemos ter até erro de dimensionamento de projeto, falhas nos programas de monitoramento dentro outras situações catastróficas. E mesmo que a parte ambiental fosse feita com responsabilidade e ética, todos nós sabemos que o governo brasileiro tem uma pequena mania de desvio de verbas públicas. Agora vamos imaginar as paredes dos reatores mais finas do que o especificado para “economizar um dinheirinho”. Como todos já mencionaram, um pequeno erro pode acarretar em uma catástrofe de proporções gigantescas.

Anonymous said...

Acredito que o Brasil já está atrasado na corrida para a utilização de energia nuclear para geração de energia elétrica. isso devido ao alto potencial hidrelétrico que possuimos, mas que,como sabemos é barato a implantação. No entanto, o alto custo ambiental da energia hidrelétrica deve ser levado em conta e devemos parar com argumentações apaixonadas e sem fundamentação técnica e dar mais atenção à essa fonte de energia. Não sem considerar, é claro, os aspectos de licenciamento que foram mencionados pelo Zé e pelo Marcelo para minimizar os impactos ou prevenção de potenciais impactos gerados - porque isso com certeza poderá existir se não houver gerenciamento sério e adequado das usinas e do lixo radioativo.

Dilma Bowen said...

Alguém já pensou como são os processos de mineração do Urânio?

Dilma Bowen said...

É preocupante a situação das populações dos municípios de Caetité (46.192 habitantes) e Lagoa Real (13.795 habitantes), localizados a mais de 750 km de Salvador, capital da Bahia, que vivem sob a influência do único complexo mínero-industrial de extração e beneficiamento de urânio em atividade no país. Até hoje não sabem a real proporção e as conseqüências do transbordamento de líquido radioativo de uma bacia de decantação de urânio que, em junho deste ano, encharcou o solo na Unidade de Concentrado de Urânio (URA/Caetité), operada pela Indústrias Nucleares do Brasil (INB). A ocorrência eleva para mais de 10 os acidentes, incidentes (ou “eventos nucleares usuais”, como prefere a INB), registrados em pouco mais de oito anos de funcionamento, aumentando as dúvidas sobre a competência científica e técnica da empresa para lidar com atividades de grande complexidade – extração, beneficiamento e transporte de material atômico – e alto risco para o homem e o meio ambiente.

Dilma Bowen said...

Insegurança – O Brasil tem a sexta maior reserva de urânio do mundo, e a mina baiana, descoberta na década de 1970 pela CNEN, fica entre os municípios de Caetité e Lagoa Real, na microrregião econômica de Guanambi, na Serra Geral, integrando as Bacias Hidrográficas do Rio de Contas e do São Francisco. Sua exploração busca a auto-suficiência na produção da matéria prima para o incremento do Programa Nuclear Brasileiro e calcula-se que as 100.000 toneladas estimadas poderão suprir a Central Nuclear de Angra dos Reis por 100 anos. O projeto básico da mina foi concluído em 1996, e a exploração começou em 2000 na jazida de Cachoeira, a 45 km da sede municipal, entre os distritos de Maniaçu (Caetité) e São Timóteo (Livramento)[2].

Dilma Bowen said...

O EIA-RIMA, datado de 1997, indicava que o complexo INB agrediria fortemente o meio físico e os sucessivos vazamentos de licor radioativo podem ter agravado os impactos previstos. Entre eles, estão a alteração da qualidade do ar (pelo desmonte de rochas na lavra do minério, gerando partículas e gás radônio); processos erosivos e deposição de sedimentos (assoreamento de lagos e riachos); contaminação dos mananciais subterrâneos, com alteração das suas propriedades; inviabilidade do uso da água do córrego do Engenho (com a implantação da barragem de rejeitos); perda da cobertura vegetal e destruição de habitats (desmatamento permanente e irreversível para a vida silvestre) e deposição de partículas radioativas sobre a cobertura vegetal (contaminação).

Desrespeito – A falta de transparência é um dos mais graves problemas na estrutura do estado brasileiro. Nos paises desenvolvidos o foco na soberania e defesa nacional foi substituído pela preocupação com a segurança do homem e do meio ambiente. No Brasil o setor continua envolto em sigilo, vigorando a filosofia do programa nuclear paralelo, de origem militar. A injustiça ambiental, atribuída ao setor, é experimentada cotidianamente pelos sertanejos, pois a INB viola direitos preconizados pelo Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, da ONU (PIDESC), descumpre convenções internacionais de segurança nuclear, desrespeitando ainda os princípios consagrados na Constituição brasileira (atividade controlada, controle democrático, responsabilidade objetiva) e na legislação ambiental (prevenção e precaução).

A empresa tem na desinformação sobre os riscos da atividade mineradora sua maior aliada para continuar produzindo, apesar dos perigos representados pelos sucessivos problemas operacionais. Parte da população urbana pensa estar livre da influência do complexo INB, seja porque a mineração fica longe da sede municipal, ou por não consumir a água usada na área do empreendimento, cujos mananciais vertem para a Bacia Hidrográfica do Rio de Contas – que abrange 63 municípios baianos e deságua em Itacaré, um paraíso ecológico na Mata Atlântica da Bahia. Mas a realidade dos moradores do campo é bem outra. Vítimas do descaso, da omissão, da negligência dos poderes públicos, estão mais próximos dos riscos e efeitos da mineradora, sendo mais diretamente afetados pela liberação de radônio na atmosfera e pela poeira gerada pelas explosões atômicas. Por isso, reagem com mais vigor contra a política de comunicação da INB, que nada divulga sobre as supostas análises da água, do solo, da vegetação e da saúde dos empregados.

Dilma Bowen said...

Maiores detalhes em:
http://www.ecodebate.com.br/2008/11/05/mineracao-de-uranio-em-caetiteba-os-custos-socioambientais-da-energia-nuclear-artigo-de-zoraide-vilasboas/

Alano Nogueira said...

A energia nuclear é uma das alternativas energéticas mais debatidas no mundo, mas valeria apena investir em usinas nucleares ou o idela seria apostar em outro tipo de energia?
- A energia nuclear é limpa mas afeta ecosistemas;
- Ocupa menos espaço físico mas no caso de um acidente atinge uma grande área geográfica;
- A tecnologia é de fácil acesso por ser conhecida ,mas sua fonte não é renovável.
Enfim...eu acredito que investimento em fontes de enrgia renovável seja a aposta mais inteligente a fazer.

Andréa Bartonelli said...

Em minha opinião, o texto parte de uma premissa insustentável: energia nuclear como aliada do meio ambiente. O próprio autor alega que a “utilização desse tipo de tecnologia ainda apresenta graves riscos para a humanidade”. Todo o lixo atômico produzido até hoje continua a ser um problema grave e de difícil solução. Como exemplo bem próximo de nós, a cápsula de césio encontrada no lixão no estado de Goiás, cujas conseqüências ainda são sentidas e, em algumas gerações, refletirá geneticamente. Muito embora, apesar dos riscos (que não são poucos ou engessáveis por quaisquer protocolos de segurança) é uma tecnologia estratégica e que, realmente, precisamos dar a ela sua importância devida.

O Brasil é um país com potencial energético diferenciado e não dependente desse modelo de altos custos e de altos riscos. É óbvio que para a França e para tantos outros países que não dispõe de tantas potencialidades energéticas como o Brasil, deva ser dado uma atenção diferenciada em detrimento do modelo tradicional de usinas térmicas. Mais do que isso, é deixar-se seduzir pelo canto da sereia e lançar-se nos braços de uma aventura perigosamente destrutiva.

Quanto aos custos, em sua análise comparativa, perde-se em não compará-lo com nossa matriz hidrelétrica tão mais barata, limpa e sustentável. Todavia, concordo plenamente com o autor quando diz que “o país não poderá renunciar à evolução do conhecimento da tecnologia nuclear, pois ela apresenta perspectivas futuras e promissoras para o desenvolvimento nacional, em vários campos tão diversos como agricultura, a medicina e a propulsão nuclear”. Portanto, creio que devamos ter um pouco mais de cuidado ao tratarmos dessa matéria, sem paixões e sem recalques.

Cilma Azevedo said...

Olá meus amigos (as)! Estou de volta devagarinho! Vamos lá...
Acredito que a estratégia de desenvolvimento a ser implantada pelas nações deve ter varias fontes de energia como premissa. No entanto, o argumento de que a energia nuclear emite poucos gases de efeito estufa é apenas um aspecto para driblar os riscos ambientais decorrente da operação da geração de energia nuclear.
Concordo com os comentarios de vocês. E acrescento: Será que o Brasil possui um plano eficiênte de evacuação da vizinhança em caso de acidente? É realizado simulação de acidentes em Angra? Como ficará a população impactadada pelo acidente? Existe algum seguro para este tipo de problema? Como é realizada a valoração da biodiverdidade da área onde estainstalada a usina de Angra?
Confesso que tenho vontade de conhecer a Usina de Angra dos Reis, assim como o Armando fez ao levar seus alunos.
Beijos e estou com saudades de todos (as)!!!!!!

Eric said...

Embora seja muito limpa a os restos produzidos pela energia nuclear se manteem poor aproximadamente 10000 anos e eles podem causar danos ainda não previstos.

Ivan Freitas said...

Um país com reservas significativas de urânio, como é o caso do Brasil, não pode desconsiderar este recurso natural no planejamento energético de longo prazo, considerando o previsível esgotamento do potencial hidráulico.
O tratamento dos resíduos nucleares permanece como fonte de atenção e cuidado.